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	<title>Arquivo de capital de 65 anos - WeekNews</title>
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		<title>Brasília: história da capital de 65 anos apagou matriarcas negras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ricardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2025 16:11:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Noticías]]></category>
		<category><![CDATA[50 mulheres que participaram da construção de Brasília]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário de Brasília tem atrações gratuitas na Esplanada]]></category>
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		<category><![CDATA[TV Brasil celebra os 65 anos de Brasília com programa especial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>. As páginas dos livros da história da construção de Brasília, essa jovem senhora de 65 anos, estão repletas de discursos oficiais e de percursos e ideais de engenheiros, arquitetos e gestores. Em geral, homens e brancos. Quase como figurantes, os operários homens surgem anônimos, mas de alguma forma contemplados no fundo da cena, com o codinome de “candangos”. No entanto, a participação das mulheres, e em particular as negras, foi praticamente omitida e apagada. Mas, a capital ainda é nova e a história está em permanente recolocação dos tijolos, em reedificação de pensamentos, conforme alegam familiares das pessoas hoje reconhecidas como matriarcas.  As mulheres negras também construíram, educaram, defenderam ideais, atacaram o racismo e transformaram o novo lugar em uma cidade. Conforme defendem pesquisadoras, é tempo ainda de&#8230;</p>
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<p>As páginas dos livros da história da construção de Brasília, essa jovem senhora de 65 anos, estão repletas de discursos oficiais e de percursos e ideais de engenheiros, arquitetos e gestores. Em geral, homens e brancos. Quase como figurantes, os operários homens surgem anônimos, mas de alguma forma contemplados no fundo da cena, com o codinome de “candangos”.<img decoding="async" src="https://weeknews.online/wp-content/uploads/2025/04/1745251867_244_ebc.png" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/><img decoding="async" src="https://weeknews.online/wp-content/uploads/2025/04/1745251867_842_ebc.gif" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p><strong>No entanto, a participação das mulheres, e em particular as negras, foi praticamente omitida e apagada</strong>. Mas, a capital ainda é nova e a história está em permanente recolocação dos tijolos, em reedificação de pensamentos, conforme alegam familiares das pessoas hoje reconhecidas como matriarcas. </p>
<p><strong>As mulheres negras também construíram, educaram, defenderam ideais, atacaram o racismo e transformaram o novo lugar em uma cidade</strong>. Conforme defendem pesquisadoras, é tempo ainda de reescrever essa história, rejuntar trajetórias e mobilizar os olhares do passado, do agora e do amanhã. Um dia, argumentam estudiosas brasilienses, os livros poderão fazer justiça para honrar os nomes, as lutas e as palavras delas.</p>
<h2>Em versos </h2>
<p>As palavras da matriarca negra Jovina Teodoro foram transmitidas em prosa e versos, desde 1959, quando se mudou com a família, aos 20 anos de idade, de Formosa (GO) para Brasília, antes da nova capital ser inaugurada. Ela era a terceira dos 13 filhos do marceneiro Antônio e da dona de casa, Ana Julieta. </p>
<p><strong>Jovina era recém-formada em enfermagem e começou a trabalhar no Hospital Juscelino Kubitschek, antes das festas da inauguração, segundo conta a filha mais velha, a antropóloga Ana Julieta Teodoro (foto), xará da avó, de 48 anos</strong>. Jovina morreu em março deste ano, aos 85 anos de idade. A matriarca trabalhava para atender, em geral, os operários fraturados nas obras e também para realizar partos. </p>
<p>Ela contextualiza que Jovina era uma pessoa de vanguarda pela saúde pública.</p>
<blockquote>
<p>“Minha mãe trabalhou com saúde da mulher e na conscientização pelo parto humanizado”.  A pioneira foi uma das participantes do Brasília Mulher, um grupo de feministas nas décadas de 1970 e 1980 que promoviam reflexões e tentativa de atuação política mesmo em um contexto da ditadura militar. </p>
</blockquote>
<p>A matriarca tinha postura de independência e liberdade, diferente de padrões da época.  Engravidou “apenas” aos 38 anos de idade, e depois, nos anos 1980, separou-se do marido em uma época que “desquitar” era caso raro.</p>
<blockquote>
<p>“Trata-se de uma sociedade que sempre julgou muito. Em especial, mulheres negras, empoderadas, e com coragem de ser quem elas querem ser”, diz Ana Julieta.</p>
</blockquote>
<p>A filha de Jovina, inclusive, exemplifica que parte da postura também representou legados simbólicos, como o fato de não alisar cabelo mesmo contrariando imposições e comentários racistas. A enfermeira tinha sensibilidade artística e social, e publicou três livros de poesia. </p>
<p>Temas relacionados a questões de gênero e meio ambiente inspiraram a mulher, como nos versos de <em>Lição de Brasília</em>: Só me resta mesmo/ uma única esperança:/ que no concreto da lição (&#8230;) haja uma brecha &#8211; ínfima que seja -/ por onde possa adentrar um fio/um fio d´água/vindo da nascente”.</p>
<p><strong>A filha pretende, agora, fazer uma edição póstuma com 40 textos inéditos da enfermeira que enxergava o mundo e a luta do dia a dia em versos</strong>. </p>
<h2>Cheia de sabedoria</h2>
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            <img decoding="async" src="https://weeknews.online/wp-content/uploads/2025/04/lourdes_teodoro.jpg" alt="Para a professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB) Maria de Lourdes Teodoro, o número de estudantes negros na pós-graduação ainda é insignificante (Valter Campanato/Agência Brasil)" title="Valter Campanato/Agência Brasil"/><br />
        <img decoding="async" src="https://weeknews.online/wp-content/uploads/2025/04/lourdes_teodoro.jpg" alt="Para a professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB) Maria de Lourdes Teodoro, o número de estudantes negros na pós-graduação ainda é insignificante (Valter Campanato/Agência Brasil)" title="Valter Campanato/Agência Brasil"/><br />
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<div class="dnd-caption-wrapper">
<p>Maria de Lourdes Teodoro conta a história da família em poesia. <strong>Valter Campanato/Agência Brasil</strong><!--END copyright=79519--></p>
</div>
</div>
<p>Irmã de Jovina, a professora e psicanalista Maria de Lourdes Teodoro, de 79 anos, chegou a Brasília com 14 anos de idade e identifica que os pais foram fundamentais para a sua formação. </p>
<p>Ela registrou, também em versos, a coragem dos pais na chegada a Brasília, ambos negros, na poesia <em>Transcerrado</em>: &#8230;os olhos ora brilhavam, ora deixavam em dúvidas, pois ela não reagia../cheia de sabedoria/ela pesava sonhos/media o entusiasmo/se ele era o timoneiro/ela era a bússola”, escreveu Lourdes.</p>
<p>A &#8220;mãe-bússola&#8221; se preocupava com que os 13 filhos tivessem o caminho da educação formal, ficou receosa com a mudança. Antes de chegar à “ilha utópica” da nova capital, a filha recorda que a matriarca, que se detinha à costura em casa, se certificou que haveria escola para todos. </p>
<p>“Ela foi muito sábia”. A mãe e o pai tinham estudado somente até a 5ª série, e sabiam bem que a escola deveria ser o caminho. A prioridade não era fazer as filhas aprenderem a cozinhar ou lavar roupa.</p>
<blockquote>
<p>“A minha mãe dizia que a gente precisava estudar e ter independência econômica.</p>
</blockquote>
<h2>Estrutura de desigualdade</h2>
<p>Neta de Ana Julieta, a advogada Ilka Teodoro, que é pesquisadora na área de direitos humanos, considera que Brasília foi estruturada a partir de um proposta de uma utopia moderna, mas que trazia consigo o histórico e a perspectiva de um modelo que favorecia a desigualdade.</p>
<blockquote>
<p>“Temos essa grande contradição nesse modelo de cidade e as mulheres fazem parte dessa história”, afirma a pesquisadora.</p>
</blockquote>
<p>Ela entende que existe um apagamento das histórias das pessoas que efetivamente colocaram a mão na massa para que a cidade pudesse existir, em função de uma lógica racista.</p>
<blockquote>
<p>“Brasília está completando 65 anos, e só agora a gente tem um esforço dos descendentes para que essas histórias sejam reconhecidas, registradas e lembradas como memória efetiva da construção”.</p>
</blockquote>
<h2>Soluções</h2>
<p>Ilka Teodoro aponta que a<a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm" target="_blank"> lei 10.639/2003</a>, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira, deveria dar conta de evitar o apagamento da história da construção de Brasília.</p>
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<div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=421210:grande_6colunas {"additionalClasses":""} --><br />
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        <img decoding="async" src="https://weeknews.online/wp-content/uploads/2025/04/_mg_4398.jpg" alt="Brasília (DF), 16/04/2025 - Ilka Teodoro fala com a Agência Brasil em matéria sobre matriarcas negras no DF. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil" title="Bruno Peres/Agência Brasil"/><br />
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<p><h6 class="meta">Neta de Ana Julieta, a advogada Ilka Teodoro ressalta o racismo na história oficial de Brasília. <strong>Foto: Bruno Peres/Agência Brasi</strong>l<!--END copyright=421210--></h6>
</p>
</div>
<p>Além disso, ela exemplifica que um projeto em andamento, de historiadoras negras, que culminou na exposição <em>Reintegração de posse</em>, conta a história de famílias negras que vieram para a construção de Brasília e que permaneceram à margem da sociedade.</p>
<h2>Poderes</h2>
<p>Pesquisadora da área de artes cênicas, a professora Jamima Tavares avalia que a história oficial transmitida de brancos como os construtores da nova capital não é repassada à sociedade de forma ingênua.</p>
<blockquote>
<p>“Essa história foi passada com uma intenção de marcar poder, de dizer quem manda. É uma fantasia a ideia de que as mulheres não fizeram parte desse processo”, pondera. </p>
</blockquote>
<p><strong>Para a pesquisadora, há uma reação da sociedade para que exista uma reescrita mais fiel da construção, que teve a participação das mulheres negras e também pobres</strong>.</p>
<blockquote>
<p>“Esse movimento vem acontecendo a partir dos grupos oprimidos que estão se organizando para mudar essa situação”. </p>
</blockquote>
<p><strong>Ela explica que existem projetos como a realização do filme <em>Poeira e baton no Planalto Central</em>, de 2011, dirigido por Tânia Fontenele, que ouviu <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://youtu.be/16fwVNp7Cxw?si=KJXL02U-QwgowQ0v" target="_blank">50 mulheres que participaram da construção de Brasília</a>.</strong></p>
<p>Confira o filme: <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://youtu.be/BYsEgFAxjNA?si=HZWf0DzsUcq35zvw" target="_blank"> Parte 1</a>; <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://youtu.be/16fwVNp7Cxw?si=KJXL02U-QwgowQ0v" target="_blank">Parte 2</a> </p>
<h2>Para a sala de aula</h2>
<p><strong>A dissertação de mestrado de Jamima Tavares identificou o que as mulheres faziam durante a construção</strong>.</p>
<blockquote>
<p>“Elas, por exemplo, lutaram para ter água na Ceilândia (região periférica com a maior população do DF)”. </p>
</blockquote>
<p>Atualmente, a professora atua em um projeto financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) para levar as histórias das mulheres pioneiras para as aulas de escolas públicas. O projeto tem o nome de “Candangas palavras: mulheres e memórias capitais para escolas públicas do Distrito Federal”.</p>
<p>O projeto foi aprovado neste ano e será iniciado em 2026. Uma das motivações para esmiuçar o tema veio da própria família, da região administrativa do Gama, a 30 km do centro. A avó, negra, chamada Ana Irineu, vivia em um regime análogo à escravidão. </p>
<h2>Reação contra o racismo</h2>
<p><strong>Especialista em temas étnicos-raciais, a professora carioca Neide Rafael, que é negra e radicada em Brasília desde os 12 anos de idade, explica que é filha de uma mãe lavadeira e neta de uma lavradora</strong>. O pai e a mãe foram pioneiros e chegaram em Brasília para a construção da cidade.</p>
<blockquote>
<p>“Fomos os primeiros moradores do antigo Gavião, que é hoje chamado o Cruzeiro Velho”, diz Neide. </p>
</blockquote>
<p>A poeira que subia da construção da nova capital não tirou o brilho do olhar da família. A preocupação da mãe, Nadir da Silva (falecida em 2003), que só tinha estudado até o primário, era principalmente garantir escola para Neide e os dois irmãos. </p>
<blockquote>
<p>“A minha mãe lavava o jaleco dos professores. Eu e as outras crianças negras sentavamos na primeira fila”.  A mãe ensinava os filhos a se expressar se os ataques racistas surgissem”.</p>
</blockquote>
<p>Ensinamento válido para a aluna que viria a se tornar professora olhada de soslaio por outros docentes de escola privada quando vinha de ensinar em unidade de ensino da periferia.  </p>
<p><strong>Atualmente, Neide Rafael prepara pesquisa sobre a ineficiência do sistema educacional para com a comunidade estudantil negra</strong>. Ela relata que são necessárias políticas eficientes até hoje para diminuir a evasão escolar e todos os riscos para essa população. A luta das matriarcas que construíram Brasília está em andamento 65 anos depois.</p>
<p>      <!-- Relacionada --></p>
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    </div>
<p> Luiz Claudio Ferreira &#8211; Repórter da Agência Brasil , . </p>
<p>Fonte: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-04/brasilia-historia-da-capital-de-65-anos-apagou-matriarcas-negras">Agencia brasil EBC.</a>.</p>
<p>Mon, 21 Apr 2025 13:02:00 -0300 </p>

<p>O post <a href="https://weeknews.online/brasilia-historia-da-capital-de-65-anos-apagou-matriarcas-negras/">Brasília: história da capital de 65 anos apagou matriarcas negras</a> apareceu primeiro em <a href="https://weeknews.online">WeekNews</a>.</p>
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