
A paralisação parcial das linhas 11, 12 e 13 da Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos (CPTM) provocou um caos no trânsito de São Paulo na manhã desta terça-feira (4). De acordo com os indicadores da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), às 10h23, o congestionamento nas ruas e avenidas da capital paulista chegou a 2.125 quilômetros, um dos maiores índices já registrados em dias de greve no transporte sobre trilhos.
A região mais afetada foi a Zona Sul, que contabilizou 648 quilômetros de vias congestionadas. Em seguida, aparecem a Zona Leste, com 537 km, e a Zona Oeste, com 507 km. A Zona Norte registrou 278 km de trânsito parado, enquanto o centro da cidade teve 155 km de lentidão. Os números refletem o impacto direto da suspensão parcial dos trens em um dos principais corredores de transporte da região metropolitana.
A greve foi anunciada pelos trabalhadores da estatal ainda na noite de segunda-feira (3), o que levou a prefeitura de São Paulo a cancelar o rodízio de veículos nesta terça. A medida, que costuma restringir a circulação de carros em determinados dias e horários, foi suspensa para minimizar os efeitos da paralisação sobre a população que depende do transporte público.
Para tentar reduzir o impacto, a prefeitura acionou o Plano de Apoio entre Empresas de Transporte frente a Situação de Emergência (Paese), que disponibiliza ônibus extras para atender os usuários das linhas afetadas. Apesar do reforço, os coletivos estão operando com superlotação, segundo relatos de passageiros e imagens divulgadas nas redes sociais.
A linha 11-Coral, uma das mais movimentadas do sistema, está funcionando parcialmente entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. Nos demais trechos, onde os trens não circulam, a CPTM informou que o Paese está sendo utilizado para transportar os passageiros. Já a linha 12-Safira opera entre as estações Brás e Engenheiro Goulart, com o restante do percurso coberto por ônibus do plano emergencial.
A linha 13-Jade, que liga a capital ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, está totalmente paralisada. As estações dessa linha contam com a presença de ônibus do Paese para atender os usuários, mas a situação é de grande transtorno, especialmente para quem precisa chegar ao aeroporto em horários determinados.
A paralisação parcial das três linhas da CPTM ocorre em um momento em que o sistema de transporte sobre trilhos de São Paulo já enfrenta críticas recorrentes por atrasos, superlotação e falhas na manutenção. A categoria, que reivindica melhorias nas condições de trabalho e reajuste salarial, não havia dado sinais públicos de que uma greve seria deflagrada, o que pegou muitos passageiros de surpresa.
Até o momento, a CPTM não divulgou previsão para a normalização do serviço. A orientação para os usuários é buscar alternativas de transporte, como ônibus municipais e intermunicipais, além de aplicativos de mobilidade. A CET recomenda que os motoristas evitem os horários de pico e utilizem rotas alternativas para fugir dos pontos de maior congestionamento.
A prefeitura de São Paulo, por sua vez, informou que está monitorando a situação em conjunto com a CPTM e que novas medidas podem ser adotadas caso a greve se estenda. O rodízio de veículos, que foi cancelado nesta terça, poderá ser suspenso novamente nos próximos dias, dependendo da evolução do movimento grevista.
Enquanto isso, os passageiros enfrentam longas filas nos pontos de ônibus e estações, com relatos de espera de mais de uma hora para conseguir embarcar. A superlotação nos veículos do Paese é constante, e muitos usuários optaram por caminhar ou utilizar bicicletas para tentar chegar ao trabalho.
A greve na CPTM também gerou reflexos na região metropolitana, com aumento da demanda por transporte alternativo em cidades como Guarulhos, Mauá e Suzano, que são atendidas pelas linhas paralisadas. Empresas de ônibus intermunicipais registraram filas maiores que o normal, e aplicativos de transporte relataram alta na procura por corridas.
A situação deve permanecer crítica ao longo do dia, e a expectativa é de que novas negociações entre o sindicato dos trabalhadores e a direção da CPTM ocorram nas próximas horas. A categoria promete manter a paralisação até que haja avanço nas negociações, enquanto a empresa afirma que está aberta ao diálogo, mas não apresentou proposta concreta até o momento.
O impacto da greve também foi sentido no comércio e nos serviços, com atrasos na abertura de lojas e no início de expedientes em escritórios. Muitas empresas adotaram o trabalho remoto como alternativa, mas uma parcela significativa dos trabalhadores não tem essa possibilidade e depende diretamente do transporte público.
A Defesa Civil e a CET permanecem em alerta, e equipes da prefeitura estão atuando nos principais corredores viários para orientar motoristas e pedestres. A recomendação é que a população evite deslocamentos desnecessários e, se possível, adie compromissos não essenciais até a normalização do serviço.
A paralisação desta terça-feira é mais um episódio de uma série de greves que têm afetado o sistema de transporte de São Paulo nos últimos anos. Em 2024, uma paralisação semelhante nas linhas da CPTM durou dois dias e deixou a cidade com congestionamentos recordes, o que gerou críticas tanto da população quanto de especialistas em mobilidade urbana.
Até o fechamento desta matéria, não havia informações oficiais sobre o andamento das negociações ou sobre a possibilidade de suspensão da greve. A CPTM, em nota, afirmou que está envidando esforços para minimizar os transtornos e que o Paese continuará operando enquanto durar a paralisação. A empresa também pediu compreensão aos usuários e recomendou que acompanhem os canais oficiais para atualizações sobre o funcionamento das linhas.
A população, no entanto, demonstra insatisfação com a falta de planejamento e com a recorrência de paralisações que afetam diretamente a rotina de milhões de pessoas. Nas redes sociais, passageiros compartilham imagens de estações lotadas e ônibus superlotados, cobrando soluções definitivas para o transporte público da capital paulista.
Enquanto isso, a cidade segue com o trânsito intenso, e a CET monitora os índices de congestionamento, que devem permanecer elevados até o fim do dia. A expectativa é de que, com o fim do horário de pico, a situação melhore gradualmente, mas a volta para casa no fim da tarde deve ser novamente complicada caso a greve continue.
A paralisação das linhas 11, 12 e 13 da CPTM é um reflexo de problemas estruturais no sistema de transporte sobre trilhos de São Paulo, que sofre com investimentos insuficientes e falta de manutenção adequada. Especialistas apontam que a solução passa por um diálogo mais efetivo entre governo, empresa e trabalhadores, além de um plano de contingência mais robusto para situações de emergência.
Por enquanto, a orientação é que os passageiros busquem informações em tempo real nos canais oficiais da CPTM e da prefeitura, e que planejem seus deslocamentos com antecedência. A greve, que começou na madrugada desta terça, não tem previsão de término, e a cidade permanece em estado de atenção.
Fonte: Agência Brasil.
