
O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, amanheceu iluminado na cor laranja, cor que simboliza mundialmente o alerta contra a violência contra as mulheres. A ação integra o 2º Ato da Campanha Judiciário pelo Fim do Feminicídio, realizada em referência aos 20 anos da Lei Maria da Penha. A iniciativa é promovida pela Comissão Executiva do XVIII Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid) e pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).
A campanha tem como objetivo conscientizar a população sobre os fatores que contribuem para o crime de feminicídio, divulgando, em linguagem simples, os sinais que podem anteceder esse tipo de ação violenta. A escolha da cor laranja remete à campanha internacional “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, que adota a cor como símbolo de um futuro sem violência.
Dados do TJRJ apontam que tramitam na Justiça estadual 7.383 processos envolvendo feminicídio, consumado ou tentado, entre janeiro e julho deste ano. O número reflete a gravidade do problema e a necessidade de ações de prevenção e enfrentamento.
A coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, desembargadora Adriana Ramos de Mello, avaliou que os 20 anos da Lei Maria da Penha representam um marco decisivo na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, comprometida com a proteção dos direitos fundamentais das meninas e mulheres. “A Lei Maria da Penha representa um divisor de águas na vida de todas nós e sobretudo das meninas e mulheres do nosso Brasil. Ela nasce realmente da coragem dessa mulher que se recusou a aceitar a violência sofrida. A lei representa o resultado de uma longa trajetória das mulheres brasileiras”, afirmou.
A iluminação do monumento, um dos cartões-postais mais famosos do país, busca dar visibilidade à campanha e sensibilizar a população sobre a urgência do combate ao feminicídio. A ação também reforça o papel do Judiciário na proteção das mulheres e na responsabilização dos agressores.
A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, é considerada um marco legal no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. Ela criou mecanismos para coibir e prevenir a violência, além de estabelecer medidas de proteção às vítimas. Nos últimos 20 anos, a lei passou por avanços, como a tipificação do feminicídio como crime hediondo e a inclusão de novas formas de violência, como a violência psicológica e o assédio.
A campanha Judiciário pelo Fim do Feminicídio é uma das ações do Fonavid, que reúne magistrados e magistradas de todo o país para discutir e aprimorar a atuação judicial nos casos de violência doméstica. A iluminação do Cristo Redentor é mais um passo nessa mobilização, que busca envolver a sociedade no enfrentamento a esse tipo de crime.
A expectativa é que a iniciativa sirva de alerta para que a população reconheça os sinais de violência e denuncie, contribuindo para a prevenção de novos casos. O TJRJ reforça a importância de denúncias por meio dos canais oficiais, como o Ligue 180, que funciona 24 horas, e o Disque 100, para denúncias de violações de direitos humanos.
A campanha também chama a atenção para a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção às mulheres, como a implementação de casas-abrigo, delegacias especializadas e medidas protetivas de urgência. A desembargadora Adriana Ramos de Mello destacou que a luta contra o feminicídio é contínua e exige o engajamento de todos os setores da sociedade.
A iluminação do Cristo Redentor na cor laranja é uma ação simbólica, mas que carrega um apelo forte: a necessidade de se falar sobre o tema, de se apoiar as vítimas e de se buscar justiça. A campanha segue ao longo do mês, com outras atividades previstas pelo Fonavid e pela Coem, incluindo palestras, rodas de conversa e ações de conscientização em todo o estado do Rio de Janeiro.
O monumento, que já foi palco de outras campanhas de conscientização, como o combate ao câncer de mama e a prevenção ao suicídio, agora se junta à luta pelo fim do feminicídio, um problema que atinge milhares de mulheres em todo o Brasil. A ação é um lembrete de que a violência contra a mulher é uma questão de direitos humanos e deve ser combatida por todos.
Fonte: Agência Brasil.
