
Com a proximidade das eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensifica a divulgação dos mecanismos de segurança e fiscalização do sistema eletrônico de votação. O secretário de Tecnologia da Informação da corte, Júlio Valente, detalhou o funcionamento do processo de votação e totalização dos resultados, enfatizando seu caráter descentralizado e público. Segundo ele, a estrutura permite que os dados produzidos em cada seção eleitoral sejam verificados em todas as etapas, desde o encerramento da votação até a divulgação oficial dos números.
Valente explicou que a apuração dos votos tem início na própria seção eleitoral. Ao final da votação, a urna eletrônica registra o resultado e imprime o boletim de urna, documento que contém a relação de votos recebidos por candidatos e partidos. Uma das vias desse boletim é afixada no local de votação, garantindo transparência imediata aos eleitores e fiscais presentes. Os dados também podem ser conferidos posteriormente no resultado divulgado pela Justiça Eleitoral, o que permite a comparação entre o que foi registrado em cada seção e o que foi totalizado oficialmente.
O secretário detalhou o caminho percorrido pelos arquivos eleitorais após o encerramento da votação. Os resultados são retirados das urnas e transmitidos por canais criptografados. Antes de serem incorporados à totalização, os arquivos passam por uma série de verificações que confirmam, entre outros pontos, se foram gerados pela urna eletrônica destinada àquela seção e se possuem a assinatura digital correspondente. “Não é só receber e somar. Tudo é verificado”, afirmou Valente, reforçando que a checagem é uma etapa obrigatória do processo.
Além da verificação técnica, o sistema oferece amplas possibilidades de acompanhamento externo. Partidos, candidatos e instituições fiscalizadoras podem monitorar as diferentes fases do processo eleitoral. Segundo o secretário, atualmente existem dezenas de oportunidades de fiscalização e auditoria, que vão desde a preparação das urnas até a totalização final dos votos. Essa abertura, na avaliação de Valente, é um dos pilares da confiança no sistema.
A biometria também foi citada como uma camada adicional de segurança. O mecanismo busca garantir que apenas o eleitor identificado possa liberar a urna para votar. Caso haja algum impedimento para a identificação biométrica, o mesário pode autorizar a votação, deixando registrado o procedimento. Essa flexibilidade, segundo o secretário, assegura que nenhum eleitor seja privado do direito de voto por falhas técnicas, ao mesmo tempo em que mantém a rastreabilidade do processo.
Sobre eventuais questionamentos aos resultados, Valente afirmou que eles podem ser apresentados à Justiça Eleitoral. Se houver elementos que justifiquem uma recontagem, as urnas e os registros digitais dos votos permanecem preservados e lacrados após a eleição, permitindo auditorias posteriores. O secretário também abordou o tema do voto impresso, lembrando que a implantação do modelo previsto em legislação foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele citou ainda a experiência de 2002, quando a utilização de impressoras provocou problemas técnicos e aumentou a taxa de falhas no sistema.
Ao responder às críticas sobre a segurança das urnas eletrônicas, Valente ressaltou que não há registro de fraude comprovada no sistema eletrônico de votação desde sua implantação, em 1996. Segundo ele, o modelo substituiu o sistema de votação por cédulas de papel, que apresentava casos documentados de fraudes durante a coleta, a apuração e a guarda dos votos. Para o secretário, além do histórico de quase 30 anos sem casos comprovados de fraude, a possibilidade de fiscalização é um dos principais elementos de segurança do sistema.
Valente destacou que o processo eleitoral brasileiro conta atualmente com 40 oportunidades de fiscalização e auditoria, permitindo o acompanhamento e a verificação das diferentes etapas da votação e da totalização dos resultados. Para ele, a participação de partidos e instituições na fiscalização é fundamental para fortalecer a confiança no processo eleitoral. “O processo eleitoral brasileiro é um dos mais seguros, modernos e auditáveis do mundo”, concluiu o secretário.
Fonte: Agência Brasil.
