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Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, desenvolveram um revestimento comestível à base de algas marinhas que pode dobrar a vida útil de morangos e outras frutas frescas, mesmo sem refrigeração. A inovação, descrita em estudo publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry, surge como uma alternativa para reduzir o desperdício de alimentos e a dependência de métodos de conservação que consomem muita energia.
O revestimento foi criado a partir da combinação de ágar, substância extraída de algas vermelhas, com zinco, nutriente essencial, e ácido tânico, composto natural encontrado em alimentos como uvas e chá. Segundo os pesquisadores, a fórmula é “natural, biocompatível, à base de plantas e amigável ao consumidor”, e foi testada em morangos, uvas e fatias de maçã, com resultados que indicam pelo menos o dobro do tempo de prateleira.
Tianxi Yang, professora assistente de ciência de alimentos da UBC e autora principal do estudo, explicou que o revestimento atua como uma barreira protetora fina e invisível. “Ele ajuda a retardar a perda de umidade e a troca gasosa, além de fornecer proteção antibacteriana e antioxidante, o que juntos atrasam a desidratação, o amolecimento, a oxidação e a deterioração”, afirmou Yang.
A pesquisa surge em um contexto de perdas significativas no setor alimentar canadense. De acordo com a universidade, quase metade de todos os alimentos produzidos no Canadá é perdida ou desperdiçada, o que custa à economia cerca de 58 bilhões de dólares canadenses por ano. Frutas e vegetais frescos estão entre os mais vulneráveis, perdendo umidade e se tornando suscetíveis a mofo e bactérias durante o armazenamento e o transporte.
Os testes realizados em morangos mostraram que, em temperatura ambiente, as frutas sem revestimento apresentaram deterioração visível em cerca de dois dias, enquanto as revestidas permaneceram frescas e intactas por pelo menos quatro dias. Quando o revestimento foi combinado com refrigeração, não houve sinais de deterioração por pelo menos seis dias.
Além de prolongar a vida útil, o revestimento foi projetado para ser praticamente sem sabor, preservando o sabor natural dos alimentos. As observações iniciais indicam que ele não altera de forma perceptível o cheiro, a textura ou a aparência dos morangos. Os pesquisadores planejam, em breve, realizar estudos sensoriais abrangentes para avaliar melhor esses aspectos.
A segurança do revestimento também foi avaliada em testes preliminares. Segundo a UBC, o material demonstrou propriedades antibacterianas e não apresentou sinais de toxicidade em testes com células intestinais humanas. No entanto, o revestimento ainda não foi aprovado para uso comercial, e serão necessárias avaliações adicionais de segurança e revisão regulatória antes que ele possa chegar ao mercado.
Para os consumidores que se preocupam com a ingestão do revestimento, os pesquisadores descobriram que a maior parte dele pode ser facilmente removida com água corrente. Apesar disso, Yang destacou que os resultados até agora são encorajadores e que a tecnologia demonstrou desempenho promissor e escalabilidade em laboratório.
Os próximos passos, segundo a pesquisadora, incluem avaliações de segurança e regulatórias, ampliação da produção e validação comercial. “Estamos também interessados em conectar com potenciais investidores e parceiros que possam ajudar a avançar a tecnologia em direção à comercialização”, afirmou Yang.
A descoberta representa um avanço potencial no combate ao desperdício de alimentos, oferecendo uma solução simples e de baixo custo para prolongar a frescura de produtos perecíveis, especialmente em regiões onde o acesso à refrigeração é limitado.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/food-drink/seaweed-based-coating-keep-strawberries-fresh-days-without-refrigeration-study-finds.
Fonte: Fox News.
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2026-08-15 12:14:00


