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Um estudo conduzido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) indica que o derramamento de óleo que atingiu o litoral brasileiro em 2019 pode ter provocado uma série de enfermidades em comunidades ribeirinhas e em populações que dependem da pesca artesanal. Os resultados foram apresentados durante um seminário que discute as consequências do desastre ecológico, ocorrido há sete anos.
O vazamento, ocorrido em 2019, alcançou 130 cidades e mais de mil localidades ao longo da costa do país. Até o momento, o Ministério Público Federal (MPF) segue aguardando informações de autoridades estrangeiras para identificar os responsáveis pelo crime ambiental. A indefinição sobre a origem do óleo e a autoria do desastre mantém o caso em aberto.
As conclusões preliminares da pesquisa foram apresentadas no seminário “Petróleo e os povos da pesca artesanal”, que aborda racismo e justiça ambiental. O evento também trouxe os resultados de dois anos e meio de estudos sobre como o petróleo afetou a natureza e o cotidiano de quem vive da pesca nos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. A falta de saneamento básico foi apontada como um fator que agrava os danos à saúde dessas populações.
O seminário está sendo realizado no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha, localizado na cidade de Tamandaré, em Pernambuco. A iniciativa é da UFPE em parceria com a Secretaria Nacional de Pesca Artesanal. Pesquisadores de outras universidades também participam do trabalho, que acompanhou as condições de saúde de pescadores que atuam em áreas de manguezais e estuários.
Além de analisar os impactos passados, o projeto busca propor formas de enfrentamento para futuros vazamentos de óleo e para a poluição causada por esgoto, portos e navios. Também estão sendo discutidas estratégias para fortalecer atividades econômicas locais, como o turismo de base comunitária, como alternativa de renda para as comunidades afetadas.
De acordo com a UFPE, os dados coletados durante os três dias de seminário, que se encerra na quarta-feira (19), serão transformados em relatórios e mapas. O material deve subsidiar a criação de novas políticas públicas voltadas para a proteção ambiental e para a saúde das populações tradicionais.
O desastre de 2019 é considerado um dos maiores vazamentos de óleo já registrados no litoral brasileiro. As manchas de petróleo atingiram praias, mangues e áreas de proteção ambiental, afetando a fauna, a flora e o sustento de milhares de famílias que dependem da pesca e do turismo.
A pesquisa da UFPE reforça a necessidade de atenção contínua às comunidades que ainda sofrem os efeitos do derramamento. A combinação entre a contaminação por óleo e a ausência de infraestrutura básica, como saneamento, pode potencializar problemas de saúde que demandam acompanhamento médico e políticas de reparação.
O seminário em Tamandaré também serve como espaço para ouvir as lideranças locais e os próprios pescadores, que relatam as dificuldades enfrentadas no dia a dia. A expectativa é de que os resultados dos estudos contribuam para a construção de um diagnóstico mais completo sobre os impactos do desastre e para a definição de medidas que evitem novos episódios semelhantes.
Enquanto as investigações sobre a origem do óleo não são concluídas, as comunidades atingidas seguem convivendo com as consequências ambientais e sociais do vazamento. O trabalho da UFPE e das instituições parceiras busca dar visibilidade a essa realidade e apoiar a formulação de respostas adequadas às necessidades locais.
Fonte: Agência Brasil.
