
NME.
O diretor sul-coreano Yeon Sang-ho, responsável pelo sucesso mundial de “Train to Busan”, está de volta ao gênero zumbi com “Colony”, um novo filme que promete misturar ação, terror e emoção. Em entrevista ao portal NME, o cineasta revelou o que, em sua visão, torna o terror sul-coreano tão eficaz e por que os mortos-vivos continuam sendo os monstros favoritos do cinema contemporâneo.
Para Yeon, a chave está na capacidade do gênero de refletir os medos de cada época. “Mesmo com o passar do tempo, os filmes de zumbi sempre representam o medo que sentimos naquele momento específico”, afirmou. “Por isso, eles parecem sempre muito frescos.” Essa abordagem se mostra especialmente pertinente em um mundo pós-pandemia, onde o isolamento e a desconfiança se tornaram temas centrais.
“Colony” não está ligado ao universo de “Train to Busan”, como foram a prequela animada “Seoul Station” (2016) e a sequência “Península” (2020). O novo longa, que estreia nos cinemas do Reino Unido em 28 de agosto, acompanha um grupo de sobreviventes presos em um arranha-céu comercial após um bioterrorista liberar um patógeno em uma conferência científica. O vilão, interpretado por Koo Kyo-hwan, se infecta propositalmente e ganha a capacidade de se comunicar telepaticamente com os zumbis, elevando a ameaça a um novo nível.
A trama, descrita como um cruzamento entre “Inferno na Torre” e “Duro de Matar” (com zumbis), explora a tensão entre individualidade e coletividade. Yeon revelou que inicialmente não pretendia fazer outro filme de zumbi, mas a história que queria contar sobre a erosão da identidade pessoal na era digital se encaixava perfeitamente no gênero. “A troca de informações em alta velocidade hoje em dia leva à erosão da individualidade nos seres humanos”, explicou.
Apesar de suas obras frequentemente apresentarem visões sombrias da humanidade, Yeon não se considera um pessimista. Citando o escritor japonês Keiichiro Hirano, ele defende que é preciso explorar o lado demoníaco presente em cada um para compreender o lado humano. Essa dualidade é uma marca registrada de seus filmes, que costumam colocar personagens em dilemas morais com consequências perigosas.
O diretor também atribui o sucesso do terror sul-coreano à sua capacidade de misturar gêneros e abordar temas universais. “Train to Busan é um filme de zumbi, mas ao mesmo tempo um filme de desastre, um filme de ação e um drama familiar”, destacou. Essa combinação, segundo ele, é o que diferencia as produções sul-coreanas das demais.
Em “Colony”, a verticalidade do edifício funciona como um experimento de laboratório, isolando os personagens do mundo exterior. “Você não se interessa pelo que está lá fora. Analisa apenas o que está dentro do recipiente de vidro”, disse Yeon, explicando a escolha do cenário. Essa abordagem confere ao filme uma frieza característica, que contrasta com a emoção visceral típica de suas obras.
Análise WeekNews: A insistência de Yeon Sang-ho no gênero zumbi, agora com “Colony”, reforça sua posição como um dos principais expoentes do terror sul-coreano. Ao mesmo tempo em que explora o entretenimento puro, o diretor utiliza o gênero como veículo para discutir questões sociais urgentes, como a perda da individualidade e a tensão entre o coletivo e o individual. Essa abordagem, que combina reflexão e espetáculo, tende a manter o interesse do público e da crítica, consolidando o cinema sul-coreano como uma força criativa no cenário internacional.
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Fonte: NME.
NME.
2026-08-24 13:16:00
