
World Soccer Talk.
A UEFA deve abandonar oficialmente a ameaça de boicotar competições da FIFA, após receber garantias de que o projeto de venda de participações comerciais na Copa do Mundo a investidores privados não será retomado. A decisão, que será formalizada na quinta-feira em reunião do comitê executivo da entidade em Mônaco, reduz a tensão entre as confederações europeias e a presidência de Gianni Infantino, mas não encerra a insatisfação com a liderança do dirigente.
A pressão europeia ganhou força nas últimas semanas, quando dirigentes das federações nacionais e da própria UEFA passaram a considerar a possibilidade de não enviar seleções para torneios da FIFA. O movimento foi uma resposta direta ao chamado FIFA Forward Enterprise (FFE), projeto que previa a venda de participações acionárias de competições a fundos privados, fora do ambiente do futebol. Diante da resistência, Infantino suspendeu a proposta.
Agora, conforme apurou a BBC Sport, a UEFA deve retirar formalmente a ameaça de boicote. O recuo ocorre depois que dirigentes europeus receberam garantias explícitas de que a ideia de comercializar cotas da Copa do Mundo com empresas de private equity não voltará a ser discutida.
A urgência para resolver o impasse estava ligada à Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para começar em 5 de setembro na Polônia, com seis seleções europeias classificadas. Um boicote prolongado colocaria o torneio em risco. Em resposta ao recuo da UEFA, um porta-voz da FIFA afirmou que a entidade está satisfeita com a participação de todas as equipes classificadas no torneio e destacou que o futebol tem o poder de unir mesmo em circunstâncias desafiadoras.
Apesar do fim da ameaça de boicote, a oposição à reeleição de Infantino, prevista para março do próximo ano, permanece ativa entre as federações europeias. Nesta quarta-feira, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) anunciou formalmente a retirada do apoio à candidatura do atual presidente. Em nota, o presidente da entidade, Gabriele Gravina, afirmou que a federação seguirá trabalhando com a UEFA e outras associações para promover um modelo de futebol baseado em mérito, solidariedade, sustentabilidade e no papel central dos torcedores.
A Itália se junta a um grupo crescente de federações que já haviam retirado o apoio a Infantino, incluindo as associações da Inglaterra, País de Gales, Escócia, Irlanda do Norte e República da Irlanda.
Análise WeekNews: O recuo da UEFA na ameaça de boicote indica que, ao menos no curto prazo, a pressão europeia conseguiu conter um dos projetos mais controversos da gestão Infantino sem levar a uma ruptura institucional. A manutenção da oposição à reeleição, porém, sugere que o movimento contra o dirigente tende a se concentrar no processo eleitoral de março, com a disputa política se deslocando do campo das competições para o terreno da sucessão na FIFA.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/uefa-reportedly-eases-pressure-on-infantinos-fifa-by-dropping-boycott-idea-as-opposition-grows/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-08-26 18:55:00
