Museu do Pontal celebra 50 anos após superar enchentes e se firmar como referência da arte popular

Museu do Pontal celebra 50 anos após superar enchentes e se firmar como referência da arte popular
Fonte da imagem: Agência Brasil


O Museu do Pontal, importante espaço dedicado à arte popular brasileira, celebra em 2026 seu cinquentenário em uma nova fase, após anos de dificuldades causadas por enchentes em sua antiga sede. Localizado hoje na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o museu adotou o conceito de ‘Museu Praça’, um espaço de convivência que integra exposições de arte popular com manifestações de dança e música.

A trajetória até a sede atual foi marcada por obstáculos. No Recreio dos Bandeirantes, onde funcionava anteriormente, o terreno do museu ficou mais baixo que os condomínios construídos ao redor, o que provocou alagamentos recorrentes. Segundo o diretor executivo Lucas Van de Beuque, as inundações começaram em 2011 e se repetiram ano após ano, exigindo mobilização de pessoas, empresas e da Prefeitura.

Em 2016, o museu conseguiu um novo terreno, mas as obras ficaram paralisadas por dois anos por falta de recursos. Nesse período, uma enchente ainda mais forte atingiu a sede antiga, deixando as instalações internas sob até 1 metro de água. Sem condições de reparar os danos e dar continuidade à construção, o museu contou com uma campanha que arrecadou doações de mais de 1 mil pessoas e empresas, permitindo a inauguração da nova sede em outubro de 2021.

Durante a pandemia de covid-19, a instituição manteve atividades por meio de encontros virtuais com artistas de diversos estados, oferecendo um alívio cultural em um período de reclusão. Lucas Van de Beuque destacou que os dez anos de processo de transição foram difíceis, mas também produtivos, pois permitiram repensar o novo museu.

A diretora do espaço, Angela Mascelani, ressaltou que, desde 1976, a coleção iniciada pelo francês Jacques Van de Beuque valoriza a produção de artistas de camadas populares, tratando-os como autores com criação e trajetória próprias. Ela lembrou que a exposição inaugural, composta por peças adquiridas por Jacques ao chegar ao Brasil, foi apresentada primeiro no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, o que deu maior reconhecimento à mostra. Para Angela, a iniciativa ajudou a combater a visão de que a produção popular não seria arte, mas sim artesanato ou fruto do acaso.

Análise WeekNews: A superação das enchentes e a mudança para um modelo de museu-praça indicam uma adaptação bem-sucedida às dificuldades estruturais, transformando o espaço em um ponto de encontro que amplia o acesso à cultura popular. A manutenção do foco na valorização dos artistas de camadas populares, com curadoria que acompanha suas trajetórias, tende a consolidar o Pontal como referência não apenas no Rio, mas no cenário nacional da arte popular.

Fonte: Agência Brasil.

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