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O poeta, jornalista e ativista cultural Luis Turiba, morto na madrugada de 26 de agosto em Salvador, aos 76 anos, será homenageado por amigos neste sábado (29) no restaurante Beirute, em Brasília, tradicional reduto de encontros culturais da capital. Natural do Recife, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma extensa obra, que inclui poesias, crônicas, reportagens, documentários e revistas culturais.
A trajetória de Turiba começou no Recife, mas foi no Rio de Janeiro, para onde se mudou ainda jovem, que ele ingressou no jornalismo. Trabalhou como repórter na revista Manchete e nos jornais O Globo e Gazeta Mercantil, onde atuou como correspondente em Brasília a partir de 1979. Durante a carreira, recebeu diversos prêmios por suas reportagens, incluindo dois regionais Esso.
Em Brasília, Turiba se tornou uma figura central no cenário cultural. Em 1985, lançou a revista Bric-a-Brac, que circulou até 2022 e ganhou destaque nacional ao entrevistar personalidades como Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Nise da Silveira e Manoel de Barros. O poeta Nicolas Behr, amigo de Turiba desde os primeiros anos em Brasília, lamentou a perda e destacou o papel do editor na literatura brasileira.
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Bric-a-Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura, para a história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós”, afirmou Behr.
Turiba também passou pela assessoria de comunicação do Ministério da Cultura, que lamentou sua morte em nota, lembrando que ele “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”. O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal ressaltou que, além do trabalho nas redações, Turiba foi “um símbolo vivo da resistência democrática”, tendo sofrido perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia reconheceu a perseguição política sofrida por Turiba e concedeu-lhe anistia, com pedido formal de desculpas do Estado brasileiro. A documentação apresentada por ele comprovou que foi monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980.
Aposentado no início dos anos 2010, Turiba dedicou-se exclusivamente à literatura e viveu seus últimos anos entre Rio de Janeiro, Salvador e Brasília. A despedida neste sábado no Beirute reúne amigos para celebrar sua memória e sua contribuição à cultura brasileira.
Fonte: Agência Brasil.
