
Feed Editoria Radioagência Nacional.
A devoção à Santa Raimunda, uma parteira indígena sacrificada durante um parto e canonizada pela fé popular, é tema do livro “Espaços de Peregrinação: A Devoção nas Estradas da Siringa”, lançado pela pesquisadora e escritora Raquel Dourado da Silva. A obra foi apresentada recentemente na Reserva Extrativista Chico Mendes, em Assis Brasil, e também na capital acreana, Rio Branco.
O livro aborda a chegada de populações nordestinas aos seringais do Acre durante o século XX, para a exploração da borracha, e como essas comunidades precisaram ressignificar sua fé e cultura no novo ambiente da Floresta Amazônica. Nesse contexto, a devoção à Santa Raimunda, também conhecida como “santa dos seringais”, ganhou destaque.
Durante entrevista à apresentadora Mara Régia, do programa Viva Maria, Raquel Dourado da Silva contou sobre a emoção de retornar à comunidade durante a festa de Santa Raimunda do Bom Sucesso, quando reencontrou as populações extrativistas. A escritora destacou o significado de devolver o resultado de sua pesquisa diretamente aos devotos, que formaram filas para registrar suas próprias histórias de fé.
A autora também ressaltou a dimensão cultural e ambiental desse catolicismo popular, lembrando que os territórios onde ocorrem mortes são reconhecidos pelos povos originários como sagrados. Em meio às urgências climáticas atuais, a devoção dialoga com a militância pela conservação ambiental e com a busca por valorização social das famílias florestais.
O lançamento na capital acreana também teve boa receptividade, reunindo moradores e migrantes urbanos em torno de memórias compartilhadas. O próximo lançamento do livro está previsto para ocorrer no Congresso Nacional da Pós-Graduação de Turismo, em Macapá, entre 23 e 25 de setembro. Para o público em geral, a obra convida a uma peregrinação pelas Reservas Extrativistas, oferecendo uma compreensão da essência da fé na Amazônia.
### Análise WeekNews
A iniciativa de lançar o livro diretamente nas comunidades extrativistas e de registrar as histórias dos devotos reforça o vínculo entre a pesquisa acadêmica e a valorização das tradições locais. Ao associar a devoção popular à conservação ambiental, a obra tende a ampliar o debate sobre o papel das populações tradicionais na defesa da floresta, tema que ganha relevância diante das atuais urgências climáticas.
Fonte: Agência Brasil.
