Na Semana da Amazônia, gestora de nove unidades de conservação no AM relata desafios e ameaças no trabalho de campo

Na Semana da Amazônia, gestora de nove unidades de conservação no AM relata desafios e ameaças no trabalho de campo
Fonte da imagem: Agência Brasil

Feed Editoria Radioagência Nacional.

Na Semana da Amazônia, que tem o 5 de setembro como data máxima do bioma, o programa Viva Maria, da Rádio Nacional, destaca a atuação de Aldeiza Lago, gerente de unidades de conservação no sul do Amazonas. Ela é responsável por nove áreas protegidas do estado, que integram o Mosaico do Apuí, uma região de cerca de 2,5 milhões de hectares ao lado da Barra de São Manoel e do Parque Nacional do Juruena.

Aldeiza, que se identifica como descendente indígena, contou que no início teve medo ao se deparar com a dimensão do território sob sua gestão. A motivação para seguir no cargo veio do contato com as comunidades tradicionais. “Quando cheguei na comunidade tradicional, que eu olhei para aquelas pessoas, eu vi que eu podia fazer algo para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, afirmou.

No dia a dia, ela enfrenta dificuldades logísticas. Para chegar às comunidades, percorre cerca de 100 km por estrada de chão e depois segue de voadeira, barco de alumínio com motor de 40 HP, por horas ou até dias. Em situações de maior distância, a viagem pode levar três dias. Aldeiza recorda que, há 12 anos, o transporte era mais precário: “O que eu faço hoje em 2 horas, 12 anos atrás eu fazia em 8, 12 horas”, comparou.

A gerente também relatou situações de risco durante ações de fiscalização, que acompanha sem ter autonomia de fiscal. Ela mencionou ameaças, placas de demarcação marcadas por balas e até “mansões” dentro das unidades de conservação. “A gente recebe ameaças… realmente a gente já teve situações que a gente pensou um pouco, mas a gente sempre dá conta do recado”, disse.

Além do trabalho de gestão, Aldeiza atua em projetos sociais com mulheres e comunidades tradicionais. A série “Somos Amazônia”, produção da EBC com o WWF-Brasil, da qual o depoimento faz parte, aborda temas como pesca sustentável, unidades de conservação, cadeias produtivas, práticas agroflorestais e turismo sustentável. O ambientalista Ricardo Mello reforçou o convite para visitar a região: “Vai lá, sinta o sabor da farinha, pega o peixe também… você está sentindo realmente o verdadeiro sabor da Amazônia”.

Fonte: Agência Brasil.

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