O Brasil chegou a 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de aplicativos em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE. O levantamento, de caráter experimental, mapeou ocupações como motoristas de transporte de passageiros, entregadores e prestadores de serviços gerais ou profissionais, incluindo designers, tradutores e médicos que utilizam plataformas digitais para captar pacientes e realizar consultas. Nessa última categoria, foram contabilizadas 313 mil pessoas, o que representa 16% do total de plataformizados.
O setor de transporte, armazenagem e correios concentra a maior parcela desses trabalhadores: 75% dos ocupados nessa área utilizam aplicativos. Isso significa que, a cada quatro pessoas empregadas no setor, três dependem das plataformas.
A pesquisa também revelou que a maioria dos plataformizados é homem (84,4%) e tem entre 25 e 39 anos (47%). Entre os motoristas de aplicativo e entregadores, o principal motivo apontado para atuar nessas plataformas foi a dificuldade de encontrar outro trabalho, seguido por flexibilidade e rendimento maior do que em outras ocupações disponíveis.
O rendimento médio mensal dos trabalhadores por aplicativo foi de R$ 3.147 em 2025, praticamente igual ao dos demais trabalhadores (R$ 3.148). No entanto, a jornada semanal dos plataformizados foi maior: 44,7 horas, contra 39,3 horas dos não plataformizados. Com isso, o rendimento por hora dos trabalhadores de app ficou 12% menor, chegando a R$ 16,2, enquanto os demais recebem R$ 18,4 por hora.
A informalidade também é mais presente entre os plataformizados: 72,1% deles atuam sem carteira assinada ou CNPJ, contra 42,7% dos não plataformizados. A cobertura previdenciária atinge apenas 34% desse grupo, enquanto entre os demais trabalhadores o índice é de 63%.
A pesquisa indica ainda que 86,8% dos plataformizados se declararam trabalhadores por conta própria, cerca de 1,6 milhão de pessoas. Na economia como um todo, os conta própria representam 28,9% dos ocupados no setor privado.
O IBGE ressalta que a Pnad sobre trabalho por plataforma ainda está em fase de teste. As edições anteriores, de 2022 e 2024, consideraram apenas os trabalhadores que tinham os aplicativos como ocupação principal, o que impede a comparação direta com o total de 2 milhões registrado em 2025. Considerando somente esse recorte, o número de plataformizados passou de 1,3 milhão em 2022 para 1,7 milhão em 2024 e 1,8 milhão em 2025, um crescimento de 9,1% em um ano e de 36,8% em três anos. Entre os entregadores, o avanço foi de 18,6% entre 2024 e 2025, a única ocupação com variação de dois dígitos.
Análise WeekNews: A estabilidade do rendimento médio dos plataformizados entre 2024 e 2025, combinada ao aumento da jornada, indica que o crescimento do número de trabalhadores nesse setor não veio acompanhado de ganho real de renda. A diferença de 5,4 horas semanais em relação aos demais ocupados, com remuneração por hora inferior, sugere que a expansão do trabalho por aplicativos ocorre em condições de maior desgaste e menor proteção social, o que tende a manter esses trabalhadores em situação de vulnerabilidade mesmo com a alta na ocupação.
Fonte: Agência Brasil.
