
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao pagamento de multa de R$ 20 milhões por fraude envolvendo o fundo imobiliário Brazil Realty. A decisão, divulgada nesta terça-feira (8), também puniu o Banco Master e outras 14 pessoas e empresas ligadas ao esquema.
Segundo a acusação analisada pela autarquia, o esquema consistia na sobreavaliação de imóveis e outros ativos que compunham o fundo. A investigação apontou irregularidades em laudos de avaliação e operações que teriam criado liquidez artificial para as cotas no mercado secundário.
Na terceira emissão de cotas, iniciada em 2018, o fundo recebeu R$ 139,1 milhões, grande parte em ativos físicos. De acordo com a CVM, alguns desses bens, principalmente imóveis, tinham valores superiores aos considerados adequados. A autarquia também encontrou problemas na documentação de parte das integralizações.
Após a colocação das cotas, empresas ligadas aos envolvidos teriam atuado no mercado secundário para dar liquidez aos papéis. A Entre Investimentos, por exemplo, realizou 177 operações, movimentando cerca de R$ 351 milhões em compras e R$ 358 milhões em vendas. A empresa afirmou que o objetivo era proporcionar liquidez aos investidores, mas a área técnica da CVM entendeu que a dinâmica permitia que investidores comprassem cotas com base em valores artificialmente elevados.
A autarquia identificou R$ 5,8 milhões em prejuízos realizados por fundos que negociaram os ativos, incluindo fundos com regimes próprios de previdência de servidores entre seus cotistas.
Além de Daniel Vorcaro e do Banco Master, foram condenados o pai do ex-banqueiro, Henrique Moura Vorcaro, e o primo, Felipe Cançado Vorcaro. Também foram punidos a Viking Participações, ligada a Daniel, a Entre Investimentos e seu responsável, além de outros envolvidos e empresas. As multas individuais variaram entre R$ 5 milhões e R$ 24 milhões. Três ex-diretores da Sefer Investimentos foram absolvidos.
A defesa de Daniel Vorcaro negou a existência de provas individualizadas de conduta irregular. A advogada Ana Paula Casagrande questionou, durante o julgamento, a falta de elementos concretos que demonstrassem o uso de meios fraudulentos para induzir investidores a erro. Os acusados também contestaram as irregularidades e sustentaram que as operações seguiram as regras do mercado.
O Banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central, foi multado em R$ 12,5 milhões. A CVM apontou que a instituição participou da terceira emissão do fundo, colocando aproximadamente R$ 16,8 milhões em dinheiro no Brazil Realty. Nas operações posteriores com as cotas, o banco teve resultado positivo de cerca de R$ 10,8 milhões. A Viking Participações registrou ganho estimado em R$ 837 mil, enquanto as operações atribuídas diretamente a Daniel Vorcaro apresentaram prejuízo de aproximadamente R$ 6,8 milhões.
Os condenados ainda podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN). O processo da CVM é independente das investigações criminais da Polícia Federal sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, na Operação Compliance Zero, quando o Banco Central liquidou o Banco Master, e novamente em março de 2026, em outra investigação.
Fonte: Agência Brasil.
