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A Rádio Nacional, que completa 90 anos em 2026, celebra um legado que transformou o radiojornalismo no Brasil: o Repórter Esso. O noticiário, que estreou em agosto de 1941 na então Rádio Nacional do Rio de Janeiro, durante a Segunda Guerra Mundial, consolidou a credibilidade do rádio como veículo de informação em um país onde, na época, mais da metade da população era analfabeta.
A emissora, estatizada em março de 1940 pelo presidente Getúlio Vargas, havia sido fundada pelo grupo do jornal A Noite. Foi nesse contexto que o Repórter Esso introduziu uma nova linguagem radiofônica, com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, que destacava a agilidade e a instantaneidade das notícias. Antes dele, as informações veiculadas no rádio eram, em grande parte, recortes do que já havia sido publicado nos jornais impressos.
O jornalista Heron Domingues, que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962, definiu a diferença entre os meios: “A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Em 1948, ele assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, criando a primeira redação dedicada ao radiojornalismo no país, com uma equipe de seis pessoas.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), o grande legado do Repórter Esso foi a relação de confiança com os ouvintes. “Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade”, afirma. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor da Universidade FAAP, em São Paulo, destaca a importância do manual do Repórter Esso, narrado por Heron Domingues, que ensinava a transmitir as notícias com animação para despertar a atenção do público.
Atualmente, a Rádio Nacional, que em 2007 passou a ter caráter público com a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), conta com uma equipe de quase 50 profissionais de jornalismo. A programação inclui três edições do radiojornal Repórter Nacional, boletins Nacional Notícias e os programas Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, ressalta o compromisso da emissora com o interesse social e a cidadania: “Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
A emissora mantém a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, que se tornou testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e no compromisso com a verdade, a precisão e a clareza, além do respeito aos fatos, aos direitos humanos e à diversidade de opiniões.
Fonte: Agência Brasil.
