
World Soccer Talk.
A continuidade de Lionel Scaloni no comando da seleção argentina segue indefinida a poucos meses da disputa da final da Copa do Mundo de 2026. A renovação contratual, que segundo o jornalista Gustavo Yarroch, da ESPN, teria sido acertada verbalmente até 2030, ainda não foi formalizada, e a negociação se tornou mais complicada nos últimos dias, apesar do tom otimista de dirigentes da AFA na semana anterior. Yarroch afirmou que nenhuma decisão final foi tomada, mas descreveu o ambiente atual como tenso.
O contrato de Scaloni se encerra no fim do ano, e a saída já confirmada de Lionel Messi da seleção argentina pesa sobre a decisão do treinador. A perspectiva de iniciar um novo ciclo sem a maior estrela do esporte é um dos fatores que alimentam a incerteza em torno da renovação.
Três questões centrais explicam o impasse, segundo o jornalista. A primeira é a própria dúvida de Scaloni sobre se ainda tem energia e motivação para reconstruir a equipe do zero depois de oito anos no cargo — tarefa que se torna ainda mais difícil sem Messi. A segunda envolve dinheiro: a AFA deveria aos jogadores e à comissão técnica um valor significativo em bonificações não pagas, o que gerou insatisfação em um momento de receita recorde da entidade. A terceira diz respeito à organização dos amistosos.
Scaloni há tempos pede adversários mais fortes, insatisfação refletida na preparação deste ano. Um amistoso contra a França previsto para a janela de março não se concretizou após o cancelamento da finalíssima contra a Espanha, e a AFA agendou partidas contra Guatemala, Venezuela, Mauritânia e Angola, antes de encerrar a série com uma vitória por 5 a 0 sobre a Zâmbia e novos testes contra Honduras e Islândia em junho. O padrão deve se repetir: Burkina Faso, Benin e Bolívia aparecem como prováveis rivais na próxima janela internacional. A federação também teria perdido prazos que ela própria estabeleceu para confirmar oficialmente esses jogos, aumentando a frustração do treinador enquanto a AFA segue pressionando pela assinatura do novo contrato.
Há ainda um complicador adicional: o auxiliar de longa data Walter Samuel deve deixar a comissão técnica para seguir carreira como treinador principal, o que obrigaria qualquer renovação a também tratar da reestruturação do grupo de trabalho de Scaloni.
O próprio treinador já havia sinalizado suas dúvidas após a derrota para a Espanha na final do Mundial. Na ocasião, disse aos repórteres que precisava de tempo para pensar. “Sinto a necessidade de pensar, porque não sei mais se algo desse tamanho pode ser feito de novo. Para continuar, você precisa de muitas coisas, acima de tudo se renovar e reconstruir um grupo como este, que é difícil de montar novamente”, afirmou, acrescentando que cumpriria seus compromissos de 2026 antes de decidir o que vem depois.
Análise WeekNews: O impasse entre Scaloni e a AFA reúne fatores esportivos e administrativos que se reforçam mutuamente. A saída de Messi retira o principal pilar esportivo do ciclo que culminou no título de 2022, enquanto pendências financeiras e a dificuldade de agendar adversários de peso indicam que a relação entre treinador e federação enfrenta desgastes concretos. A possível saída de Walter Samuel acrescenta uma camada de incerteza sobre a continuidade de um trabalho construído ao longo de oito anos. O desfecho da negociação tende a definir não apenas o nome do técnico, mas o grau de reconstrução que a Argentina precisará enfrentar no pós-Messi.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/lionel-messis-argentina-retirement-could-be-one-of-the-reasons-lionel-scaloni-wont-sign-a-contract-renewal/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-09-10 10:45:00
