África desponta como nova fronteira para data centers e IA, com apoio dos EUA

África desponta como nova fronteira para data centers e IA, com apoio dos EUA
Crédito da imagem: (Cybastion)He added, “The continent could become the next major frontier for AI infrastructure development (Cybastion)
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A África pode se tornar a próxima grande fronteira para data centers e infraestrutura de inteligência artificial, segundo analistas, em um movimento impulsionado por restrições ambientais e energéticas em mercados maduros e pelo interesse crescente de empresas americanas no continente. O governo dos Estados Unidos tem apoiado e promovido companhias do país para que o desenvolvimento de IA siga o que o Departamento de Estado chama de “padrão ouro” mundial.

“A África está emergindo como um local potencial significativo para a construção de infraestrutura de IA, especialmente à medida que muitos mercados maduros enfrentam crescentes restrições ambientais e de energia”, afirmou Abhishek Goyal, consultor do grupo de pesquisa Arizton Advisory & Intelligence. Segundo ele, enquanto EUA e Europa enfrentam escassez de energia, congestionamento de redes, problemas de licenciamento e regulamentações ambientais, a infraestrutura subdesenvolvida da África representa uma oportunidade, e não uma desvantagem.

Um porta-voz do Departamento de Estado disse que os EUA estão comprometidos em garantir que a IA americana, incluindo a infraestrutura que a viabiliza, como data centers, continue sendo o padrão ouro mundial, e que o país siga sendo o parceiro preferencial de governos e empresas estrangeiras que buscam atualizar suas redes de telecomunicações e capacidades de IA.

Esse esforço já se traduz em contratos. Ainda este ano, com ajuda americana, uma empresa dos EUA venceu um acordo de US$ 6,2 bilhões no Lesoto, no sul da África, para um data center e uma usina hidrelétrica. No Gabão, na África central, a embaixada dos EUA ajudou a conquistar US$ 600 milhões em negócios para empresas americanas em 2025. Ainda neste ano, a representação diplomática no país auxiliou na obtenção de um contrato de US$ 100 milhões para fornecer dois data centers e uma usina de gás para energia, em meio à forte concorrência da China.

O secretário de Estado assistente para Assuntos Africanos, Frank Garcia, já havia declarado que, sob a liderança do presidente Trump, os Estados Unidos estão ajudando empresas americanas a encontrar novos mercados e prosperar na África.

Para Arthur Goldstuck, CEO do grupo sul-africano de pesquisa tecnológica World Wide Worx e autor de “The Hitchhiker’s Guide to AI – The African Edge”, a África vive um boom de data centers, mas parte de uma base muito pequena. Ele afirma que, pela falta de capacidade atual, o continente não substituirá EUA ou Europa como centro de computação global. A atração estaria em atender um mercado africano de nuvem em rápido crescimento e processar dados africanos perto de quem os gera.

Goldstuck acrescenta que a África dá às empresas americanas acesso a um mercado de nuvem e IA ainda muito mal atendido, com oportunidades que vão da operação de data centers ao fornecimento de chips de IA, sistemas de resfriamento, cibersegurança e infraestrutura de energia. Em alguns países, um data center pode se tornar o cliente garantido que viabiliza financeiramente um novo projeto de energia renovável.

O crescimento, porém, é alimentado por necessidades locais. Governos, bancos e grandes empresas buscam serviços locais de nuvem e IA e querem armazenar informações sensíveis dentro de seus próprios países. Goyal, da Arizton, aponta que África do Sul, Quênia, Nigéria, Marrocos e Egito estão atraindo projetos de IA de grande escala.

Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o governo americano pretende oferecer soluções confiáveis que combinem financiamento público e privado em áreas prioritárias, como tecnologia emergente, que exigem que as redes globais de telecomunicações permaneçam seguras para cidadãos e empresas dos EUA. Como exemplo, citou cabos submarinos em construção no Atlântico, que ampliam oportunidades e conectividade para a África.

O uso de cabos submarinos de IA para conectar empresas americanas a data centers africanos é uma possibilidade, segundo Goldstuck, mas com limitações. A distância cria um leve atraso, o que tornaria instalações africanas menos atraentes para serviços que exigem resposta instantânea de usuários americanos. Elas poderiam funcionar bem para backups, recuperação de desastres e alguns processamentos intensivos de IA, desde que custo, segurança e jurisdição legal façam sentido.

Analistas apontam que boa parte da África carece de regulamentação, criando o risco de uma abordagem de “faroeste” nos negócios. O governo sul-africano afirmou recentemente que o país abriga 70% da capacidade total de data centers do continente. Mas Pitso Tsibolane, professor sênior de sistemas de informação da Universidade da Cidade do Cabo, disse que na África do Sul não há registro público de instalações de data centers, exigência de que operadores divulguem quanto de água, eletricidade e terra usarão, nem compromissos vinculantes para medir desempenho. Para ele, essa lacuna não serve a ninguém: comunidades não veem o que é negociado em seu nome e operadores responsáveis não conseguem se diferenciar. Tsibolane defende divulgação transparente, uma base factual independente e aprovações previsíveis, combinação que considera boa para famílias, para a rede elétrica e para investidores de longo prazo.

Goyal, da Arizton, vê um futuro promissor. Vários países africanos apresentam oportunidade única por seu abundante potencial de energia renovável, como solar, eólica, hídrica e geotérmica, além de terra disponível, custos de desenvolvimento mais baixos e economias digitais em rápido crescimento.

Análise WeekNews: O avanço de data centers na África combina dois fatores concretos: a demanda local por nuvem e IA e as restrições de energia e licenciamento em mercados maduros. Os contratos citados no Lesoto e no Gabão indicam que empresas americanas já convertem esse cenário em negócios, enquanto a falta de regulamentação e de registros públicos, apontada na África do Sul, sugere que a expansão pode ocorrer antes que mecanismos de transparência estejam consolidados. O movimento não aponta para substituição dos centros globais de computação, mas para uma capacidade complementar voltada ao processamento de dados africanos e a serviços que tolerem latência maior.

Leia mais aqui em inglês: https://a57.foxnews.com/static.foxnews.com/foxnews.com/content/uploads/2026/09/343/192/data-center-south-africa.jpg?ve=1&tl=1.

Fonte: Fox News.

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2026-09-13 08:00:00

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