Ex-baterista do Elbow relata saída da banda para tratar dependência química

Ex-baterista do Elbow relata saída da banda para tratar dependência química
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O ex-baterista do Elbow Richard Jupp revelou os motivos que o levaram a deixar a banda após 25 anos. Em entrevista à BBC News, ele contou que a decisão, anunciada em 2017, esteve ligada à escolha pela sobriedade e à recuperação do alcoolismo e do uso de drogas.

Jupp integrou o Elbow por 25 anos e deixou o grupo em 2017. Na época, um comunicado informou que ele se dedicaria a outros projetos, incluindo sua escola de bateria e trabalhos com instituições de caridade. Agora, ele detalhou o que estava por trás da saída.

“Por fora, eu tinha tudo o que se supõe que você deva querer”, disse ele à BBC News. “Eu viajava pelo mundo, gravava discos e vivia uma vida com a qual sonhava desde criança. Estávamos em um ponto extraordinário na carreira da banda.” Ainda assim, segundo ele, a pergunta que se impôs foi: “O que tudo isso vale se estou seguindo em uma direção que já não funciona para mim?”

O músico relatou que o consumo de álcool e drogas era normalizado na indústria musical. “Hoje menos, mas naquela época era visto como uma espécie de rito de passagem, era normalizado, e eu participei pessoalmente dessa cultura”, afirmou. Ele acrescentou ter testemunhado, no meio musical, pessoas que ainda mantêm esse comportamento, fora da banda, perpetuando o mito do rock’n’roll.

Ao completar 40 anos, Jupp decidiu mudar de estilo de vida. Ele ainda excursionou por um ano com o Elbow em sobriedade antes de deixar o grupo, em 2016. “Estava começando a chegar a um ponto em que eu conseguia ver que havia um problema”, contou. “Eu me sentia desconectado”, disse, acrescentando que está sóbrio desde então. “Simplesmente decidi: ‘É isso, chega.'”

Segundo ele, escolher a sobriedade e a recuperação significou estar preparado para abrir mão de uma vida que lhe deu fama, sucesso e segurança financeira. “Significou me afastar de uma identidade que carreguei por boa parte da minha vida adulta e aceitar que minha saúde, minha família e meu futuro tinham de vir primeiro”, declarou.

Desde a última apresentação com o Elbow, Jupp tem ensinado bateria com foco nos benefícios físicos, cognitivos e emocionais. “Desde que deixei a banda, a recuperação tem sido um dos focos que definem a minha vida, e a bateria desempenhou um papel enorme nisso”, afirmou. “Ritmo, repetição, movimento e foco me ajudam a voltar ao momento presente”, disse. “Trata-se de compartilhar algo que genuinamente me ajudou a me manter centrado e bem.”

“Sei o quanto essa decisão de escolher a recuperação pode ser significativa. A dependência é uma doença e é aterrorizante”, explicou. “E eu tive a sorte de conseguir tomar a decisão pela sobriedade e de conseguir mantê-la.”

A entrevista foi divulgada no momento em que Jupp leva sua oficina de bateria à Delamere Health, clínica de reabilitação para dependência química em Cheshire, na Inglaterra. “Sei o que é olhar para a vida que você leva e decidir que algo precisa mudar”, disse. “Então, se agora posso ficar ao lado de pessoas que estão tomando essa decisão por si mesmas, especialmente as que estão começando a recuperação, e oferecer algo que talvez as ajude a se reconectar consigo mesmas, com suas famílias ou simplesmente com a vida, isso é incrivelmente significativo para mim.”

Enquanto isso, o Elbow se apresentará em três shows em sua cidade natal, Manchester, no Ritz, em novembro, quando tocará na íntegra seu álbum de estreia, “Asleep In The Back”, para marcar o 25º aniversário do disco. Lançado em 2001 pelo recém-relançado selo V2, o álbum chegou ao 14º lugar e rendeu à banda sua primeira indicação ao Mercury Prize.

Eles perderam para “Stories From The City, Stories From The Sea”, de PJ Harvey, mas venceriam em 2008 com seu quarto álbum, “The Seldom Seen Kid”. Em entrevista sobre os shows, Guy Garvey explicou: “Queríamos fazer isso para as pessoas que estavam lá no começo, que nunca imaginaram ouvir o álbum na íntegra.”

Análise WeekNews: O relato de Richard Jupp expõe uma tensão concreta entre a manutenção de uma carreira de sucesso e a preservação da saúde, decisão que ele próprio descreve como uma escolha por recuperação. A normalização do consumo de álcool e drogas na indústria musical, apontada por ele, ajuda a entender por que a saída de um músico em atividade pode envolver mais do que projetos paralelos. A oficina de bateria em uma clínica de reabilitação indica que a experiência pessoal passou a orientar sua atuação profissional atual.

Leia mais aqui em inglês: https://www.nme.com/news/music/former-elbow-drummer-richard-jupp-on-walking-away-from-band-sobriety-3968646?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=former-elbow-drummer-richard-jupp-on-walking-away-from-band-sobriety.

Fonte: NME.

NME.

2026-09-14 03:22:00

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