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Um estudo observacional com 121.492 adultos de 60 anos ou mais associou o uso de bisfosfonatos nitrogenados, classe de medicamentos usada para tratar osteoporose, a um risco menor de desenvolver Alzheimer e demências relacionadas. Segundo a pesquisa, publicada na revista Alzheimer’s & Dementia, o grupo que utilizou esse tipo de remédio apresentou risco 16% menor de desenvolver a doença em comparação com quem não tomava medicamentos para osteoporose, e 24% menor em relação a pessoas que usavam outros tipos de tratamento para a condição.
Os bisfosfonatos nitrogenados atuam para desacelerar a perda óssea e reduzir o risco de fraturas, principalmente em pacientes com osteoporose. Entre os tipos mais comuns estão alendronato, ibandronato, risedronato e zoledronato. De acordo com o National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases (NIAMS), a osteoporose ocorre quando os ossos ficam mais fracos e suscetíveis a quebras por causa da perda de massa óssea, sendo especialmente frequente entre idosos.
Todos os participantes do estudo realizado em Hong Kong haviam sido recentemente diagnosticados com osteoporose ou sofrido fratura grave na coluna, no úmero, no punho ou no quadril. Nenhum deles tinha usado antes medicação para osteoporose.
O autor do estudo, Ching-Lung Cheung, professor associado do Departamento de Farmacologia e Farmácia da Faculdade de Medicina Li Ka Shing da Universidade de Hong Kong, afirmou que evidências emergentes apontam para um eixo osso-cérebro, sugerindo uma ligação próxima entre a saúde óssea e a cerebral. Segundo ele, estudos anteriores, dele e de outros pesquisadores, já haviam mostrado que pessoas com baixa massa óssea ou osteoporose têm maior probabilidade de desenvolver demência mais tarde. “Isso destaca a importância de manter uma boa saúde óssea, o que também pode ajudar a reduzir o risco de demência”, declarou.
Apesar da associação encontrada, os próprios autores fazem ressalvas. Por ser um estudo observacional, os resultados não provam que o uso de bisfosfonatos reduz o risco de demência, o que, segundo Cheung, precisa ser confirmado em um ensaio clínico. Ele também citou a generalização como outra consideração relevante, já que a pesquisa envolveu apenas uma população chinesa, e não se sabe se os achados se aplicam a outros grupos.
Outra limitação apontada é a ausência de testes cognitivos na linha de base, o que significa que pacientes que já apresentavam comprometimento cognitivo podem ter tido menos chance de receber tratamento para osteoporose. Os pesquisadores também não tinham informações sobre a gravidade da osteoporose e das fraturas dos participantes, nem sobre o uso de cálcio e vitamina D vendidos sem receita. Fatores externos como nível de escolaridade, isolamento social, poluição do ar e perda de visão também poderiam ter afetado o risco de demência, reconheceram os autores.
Os responsáveis pelo estudo afirmam que os achados, embora sugiram taxas menores de Alzheimer e demências relacionadas entre idosos que receberam bisfosfonatos nitrogenados para osteoporose ou fraturas por fragilidade, ainda não justificam a prescrição desses medicamentos especificamente para prevenir ou tratar a doença. Eles pedem mais pesquisas com populações mais amplas, com atenção especial a uma possível influência do gênero no risco reduzido.
“O próximo passo é confirmar nossos achados observacionais em um ensaio clínico”, disse Cheung. “Se o benefício for demonstrado, isso pode ter implicações importantes para o manejo da demência.” Ele acrescentou que espera que os resultados incentivem pacientes e profissionais de saúde a pesar os benefícios e riscos gerais e a usar o tratamento adequado quando indicado.
Análise WeekNews: O estudo reforça a hipótese de uma relação entre saúde óssea e saúde cerebral, mas seus próprios autores delimitam o alcance do achado. Trata-se de uma associação observacional, não de uma relação de causa e efeito, e a amostra restrita a uma população chinesa limita a generalização. A indicação de um ensaio clínico como próximo passo sugere que a confirmação do benefício ainda depende de evidências mais robustas antes de qualquer mudança de conduta clínica.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/health/popular-drugs-bone-health-linked-significantly-lower-alzheimers-risk.
Fonte: Fox News.
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2026-09-16 18:13:00

