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Golpes que se aproveitam de desastres naturais para arrecadar doações falsas podem começar antes mesmo de um furacão atingir o continente. Segundo o material, fraudadores compram listas com nomes, idades, endereços, telefones e detalhes familiares, ou montam esses perfis a partir de sites de busca de pessoas e fontes públicas. Quando a tempestade domina as manchetes, o golpista já sabe quem tem maior probabilidade de responder a um pedido de doação.
O alerta ocorre durante o Setembro de Preparação Nacional, cujo tema deste ano é “Os americanos estão prontos”. Enquanto a agência federal de emergência dos Estados Unidos recomenda que a população monte um plano e um kit de emergência, criminosos buscam transformar a catástrofe em lucro. A temporada de furacões do Atlântico segue até 30 de novembro, e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) aponta 10 de setembro como o pico climatológico do período, o que coloca o mês de conscientização no meio da fase mais movimentada.
Um caso do Departamento de Justiça dos Estados Unidos ilustra o alcance desse tipo de segmentação. A empresa Epsilon Data Management usou dados transacionais e um banco com 100 milhões de domicílios americanos para identificar “compradores responsivos”. Segundo os promotores, os executivos Robert Reger e David Lytle venderam listas segmentadas a fraudadores por cerca de uma década. Um dos clientes usou esse material para lesar mais de 218 mil pessoas em mais de US$ 23,7 milhões. Mais de 12 mil vítimas foram atingidas em mais de 20 ocasiões. Reger foi condenado a 10 anos de prisão e Lytle, a quatro. A Epsilon pagou US$ 150 milhões em penalidades e compensação às vítimas, com US$ 122 milhões devolvidos a mais de 200 mil pessoas. O processo tratava de fraudes por mala direta, não especificamente de golpes com falsas caridades ligadas a furacões, mas demonstra como dados pessoais e sinais comportamentais ajudam criminosos a escolher alvos.
Dados do FBI mostram o custo desse tipo de fraude. O Centro de Reclamações de Crimes na Internet registrou 662 queixas relacionadas a instituições de caridade e US$ 7.907.609 em perdas relatadas em 2025. Não é preciso ter histórico de doações para ser alvo: os golpistas alcançam pessoas por listas compradas, registros públicos, chamadas automáticas e outros canais de marketing.
Dois casos citados no material mostram como esses esquemas funcionam. James Trankle mantinha três falsas instituições de caridade, entre elas o “Disabled and Paralyzed Veterans Fund”, o “National Breast Cancer Awareness Fund” e o “Children’s Leukemia of America Fund”. Ele enviou solicitações pelo correio a milhares de pessoas e recolheu mais de 1.600 cheques pessoais, usando depois os dados bancários dos doadores para criar cheques falsificados. Muitas vítimas eram idosos. Trankle foi condenado a cinco anos de prisão. Travis Peterson operou por seis anos um esquema com milhões de chamadas automáticas e outras abordagens em nome de falsas instituições de veteranos, com alvo frequente em idosos. Foi condenado a 41 meses de prisão e obrigado a pagar US$ 541.032,10 em restituição.
Depois que a tempestade passa, o risco aumenta. Após o furacão Helene, a agência federal de emergência alertou que criminosos podem usar nomes, endereços e números de Seguro Social roubados para pedir assistência em nome de outras pessoas, além de se passarem por inspetores ou trabalhadores de desastres. A Comissão Federal de Comércio dos EUA já advertiu que golpistas exploram emergências climáticas com falsas instituições e organizações que imitam entidades reais, inclusive com sites que parecem ligados ao desastre.
Para quem quer doar com segurança, a recomendação é verificar a instituição em plataformas independentes, como Charity Navigator, BBB Wise Giving Alliance, CharityWatch ou a busca de organizações isentas de impostos do IRS, e acessar diretamente o site oficial em vez de clicar em links recebidos por mensagem ou e-mail. A comissão alerta que golpistas podem exigir dinheiro em espécie, cartões-presente, transferências bancárias, aplicativos de pagamento ou criptomoedas; cartão de crédito ou cheque oferecem mais proteção e rastro. Pedidos com senso de urgência devem ser tratados com desconfiança, e nomes ou endereços parecidos com os de entidades conhecidas exigem conferência da grafia. Após doar, é recomendável revisar a fatura para confirmar o valor cobrado e a ausência de doações recorrentes não autorizadas. Suspeitas podem ser relatadas à comissão ou ao FBI, e a rede de proteção a idosos mantém uma linha de ajuda.
Análise WeekNews: A combinação entre dados pessoais disponíveis comercialmente e a urgência emocional de uma catástrofe cria um ambiente em que a verificação prévia da instituição deixa de ser formalidade e passa a ser a principal barreira contra o desvio de doações. Os casos citados indicam que a segmentação de alvos não depende de uma catástrofe específica, mas de informações acumuladas ao longo de anos, o que sugere que a redução da exposição de dados pessoais tende a diminuir a eficácia dessas abordagens.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/tech/how-hurricane-charity-scams-target-you-before-storms-hit.
Fonte: Fox News.
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2026-09-17 15:30:00


