Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência: artistas e atleta relatam trajetórias e desafios




Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência: artistas e atleta relatam trajetórias e desafios
Fonte da imagem: Agência Brasil


O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, lembrado nesta segunda-feira (21), é marcado por relatos de profissionais que transformaram suas trajetórias em arte, esporte e educação, ao mesmo tempo em que enfrentam o capacitismo em diferentes espaços. Quatro histórias ilustram a data: o fotógrafo Luciano Ambrósio, a estilista Juliana Santos, a professora de educação física Carolina Belfort e a atleta surda Daniela Francescutti.

Morador da Ceilândia (DF), o fotógrafo mineiro Luciano Ambrósio, de 57 anos, perdeu a visão aos 24 anos e descobriu a fotografia há dez anos. Nascido em Lajinha (MG), mudou-se para Brasília em 2002 para estudar biblioteconomia e trabalhar. Quando atuava no Senado como assessor, participou de uma oficina de fotografia inclusiva e ouviu a orientação que o marcou: “busquem aquela imagem do cotidiano que ninguém presta atenção”.

Ele mapeia o ambiente pelo corpo, incluindo a textura do chão, a inclinação do terreno e os sons ao redor. Com o celular, recebe apoio de um software de voz que descreve o que está diante da câmera; com as informações, decide o clique. “Eu coloco a câmera pertinho do chão e fotografo a grama. Eu adoro os degraus”, conta. Quando fotografa pessoas, pede que elas coloquem um guizo no pescoço para que ele possa localizá-las. “Eu já passei mais tempo da minha vida como um cego do que enxergando. Mas eu sei muito bem o que é beleza visual. Isso ainda está guardado aqui no meu cérebro”, afirma.

O fotógrafo prepara o primeiro livro, “Meu olhar”, de 120 páginas em edição independente, previsto para novembro, com imagens e 100 poesias. A esposa, a cerimonialista Edna Teodoro, de 54 anos, diz que ele a surpreende pela capacidade de criação permanente e lamenta episódios de capacitismo, como quando uma atendente de lanchonete em um shopping perguntou a ela o que ele iria querer, como se ele não pudesse compreender. “Eu falei que ela podia perguntar para ele direto”, relata.

A estilista goiana Juliana Santos, de 40 anos, que mora em São Paulo, vive um momento de tristeza por causa de uma série de ataques na internet e ingressou na Justiça com uma ação que pede reparação. “Eu quero ter paz novamente. E, para mim, essa paz passa necessariamente por uma resposta das autoridades e por uma investigação que finalmente esclareça o que aconteceu”, diz. Prints reunidos por ela mostram comentários direcionados à sua condição de pessoa com deficiência. Segundo a estilista, o impacto da exposição afetou sua atividade profissional, com cancelamentos e perda de contratos.

Em 12 anos de trabalho, Juliana produziu mais de 2.300 vestidos. Em 2024, ano em que, segundo ela, teve início a perseguição, foram 678 vestidos; em 2025, o número caiu para 68, quando a previsão inicial era de 127. Para 2026, até o momento, foram fechados 28 contratos. “Minha arte é meu trabalho, meu sustento e o sustento dos meus filhos. Quero que haja responsabilização por aquilo que aconteceu”, completa. Ela relata ainda que há um inquérito em andamento há mais de um ano, relacionado a denúncias de calúnia, perseguição e stalking, sem desfecho até agora.

Nesta segunda-feira (21), a estilista deve apresentar um vestido como manifesto contra o capacitismo nas redes sociais, com intervenção artística feita com 200 comentários ofensivos registrados nos últimos dois anos. Na infância, ela foi vítima de um incêndio acidental em casa aos quatro anos, quando estava sozinha com uma irmã bebê; perdeu os dedos das mãos e ficou com cicatrizes em outros membros. Foi abandonada pela mãe e depois adotada por outra família. Desde criança tinha fascinação por roupas e, diante das limitações, demorou mais para aprender a escrever e a segurar objetos; depois passou a fazer aulas de pintura, artesanato e costura. “A minha deficiência é só um detalhe. Não são as minhas mãos que fazem os vestidos, é o meu cérebro, é o meu olhar, é a minha criatividade”, defende.

No Riacho Fundo, região periférica do Distrito Federal, a professora de educação física maranhense Carolina Belfort, de 40 anos, estimula o movimento e a saúde de alunos de diferentes faixas etárias em escola pública. Cadeirante, ela pede no primeiro dia de aula que os alunos perguntem à vontade o que quiserem e explica abertamente que perdeu o movimento das pernas ainda criança depois de um tiro acidental dentro de casa. “Com o tempo, eles nem se lembram mais desse assunto”, diz.

Carolina conta que recebe abraços e beijos das crianças e que estimula a turma para a dança, inclusive nos intervalos. Ela afirma que, durante seu período escolar, não se sentiu incluída nas atividades. “Eles não sabiam como orientar e eles tinham medo de eu me machucar”, lamenta. Segundo avalia, enfrentou obstáculos tanto pela deficiência quanto por ser mulher. “A chave foi virada. Foram muitas batalhas porque existe o capacitismo. Eu tenho que me provar duas vezes”. Seu sonho é trabalhar futuramente de forma especializada com outras pessoas com deficiência.

A funcionária pública e arquivista brasiliense Daniela Francescutti, de 56 anos, atleta surda, participa de competições masters de natação desde 2007. “Gosto de nadar borboleta, medley e provas longas (800 metros e 1,5 mil metros livres)”, conta. Ela ficou em sexto lugar logo no primeiro ano na prova mais longa, resultado que considera seu ouro. Em 2013, passou a competir também em águas abertas; oito anos depois, a Federação Brasiliense Desportiva dos…

Fonte: Agência Brasil.

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