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O músico Bob Geldof, líder da banda The Boomtown Rats, saiu em defesa de Ed Sheeran na controvérsia envolvendo a saída de Macklemore da turnê ‘Loop’. Em entrevista ao Belfast Telegraph, Geldof afirmou que um artista tem o direito absoluto de escolher o que dizer e quando dizer, e que a fama é uma moeda que cada um decide como usar. Ele também criticou o dono do Gillette Stadium, Robert Kraft, e os promotores da turnê, dizendo que a vergonha deveria recair sobre eles, e não sobre Sheeran.
A polêmica começou quando Macklemore foi retirado da turnê após fazer um discurso pró-Palestina durante suas apresentações no MetLife Stadium, em Nova Jersey, onde também cantou a faixa de protesto ‘Hind’s Hall’ com imagens de Gaza. A decisão gerou reações de artistas como Pink e o Conselho Israelo-Americano, que pediram sua remoção. Kraft classificou os comentários de Macklemore como profundamente ofensivos e dolorosos para a comunidade judaica. Sheeran afirmou que a decisão final foi do promotor Messina Touring Group, após objeções de vários locais.
A saída de Macklemore levou os artistas FINNEAS, Lukas Graham, Aaron Rowe e Beoga a se retirarem da turnê, assim como os músicos de apoio de Sheeran. No sábado, 19 de setembro, Sheeran voltou aos palcos em Filadélfia e admitiu ter cometido erros na condução da situação. Ele disse que a repercussão o fez questionar se queria continuar sendo artista e que nunca pretendeu ser um músico ativista, mas que a controvérsia o colocou no centro de um debate sobre liberdade de expressão. Sheeran também expressou preocupação com a ideia de que locais de show pré-aprovem conteúdo de artistas, algo que, segundo ele, não deveria acontecer no mundo livre.
Sobre Gaza, Sheeran descreveu o ataque liderado pelo Hamas no festival de música Nova, em 7 de outubro de 2023, como horrível, e afirmou que o que acontece em Gaza é catastrófico, injustificável e desproporcional. Ele revelou que removeu o palco B de suas apresentações por medo de que algo fosse arremessado contra ele, e que não sabia se as pessoas estariam irritadas. Durante o mesmo show, agradeceu o apoio do público e disse que nunca deixará de se apresentar.
Geldof, que já havia criticado duramente a situação humanitária em Gaza no passado, incluindo chamar o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de mentiroso, elogiou Macklemore e os músicos que deixaram a turnê, reconhecendo que é uma decisão difícil, especialmente quando estão ganhando muito dinheiro pela primeira vez. Ele também defendeu que tanto Sheeran quanto Macklemore deveriam ser apoiados pelos promotores e donos de estádios, e que não é da conta deles o que um artista faz.
O ex-integrante da turnê Aaron Rowe também se manifestou, dizendo que a raiva deveria ser direcionada a Robert Kraft e não a Sheeran. Rowe admitiu que a declaração inicial de Sheeran poderia ter sido melhor e que Macklemore não deveria ter sido removido, mas destacou que Sheeran é uma pessoa gentil que comete erros como qualquer um. Macklemore, por sua vez, prometeu doar todo o US$ 1 milhão que ganhou na turnê para seis organizações de apoio aos palestinos. Kraft afirmou que Sheeran pediu que ele igualasse uma contribuição humanitária de US$ 2 milhões.
A banda Maruja também comentou o caso, esperando que a controvérsia redirecione a atenção para o que realmente acontece na Palestina. O vocalista Joe Carroll afirmou que a situação não é sobre Macklemore e Ed Sheeran, mas sobre um genocídio, e que não deveria haver escolha de lado quando se trata de moralidade humana básica.
Análise WeekNews: A defesa pública de Bob Geldof a Ed Sheeran e suas críticas a promotores e donos de estádios evidenciam uma tensão entre a liberdade artística e as pressões comerciais e políticas que envolvem grandes turnês. O episódio também mostra como decisões sobre conteúdo em apresentações ao vivo podem gerar reações em cadeia, com artistas se retirando em solidariedade e doações significativas sendo anunciadas. A controvérsia desloca o foco da música para debates sobre liberdade de expressão e responsabilidade social, sem que haja uma solução simples para o impasse.
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Fonte: NME.
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2026-09-21 14:37:00
