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Uma mostra gratuita em cartaz no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, reúne mais de 300 itens pessoais de Luis Fernando Veríssimo e abre ao público as camadas de criação de um dos principais nomes do humor brasileiro. A exposição “Traçando Veríssimo” celebra os 90 anos que o autor completaria neste sábado (26) e apresenta cadernos, charges, originais de livros, fotografias e objetos ligados à trajetória do escritor gaúcho.
Morto em agosto do ano passado, aos 88 anos, Veríssimo escreveu mais de 80 livros, entre eles “Comédias da Vida Privada”, e criou personagens como o analista de Bagé, Ed Mort e a família Brasil. Também publicou cartuns e charges em jornais, atividade que, ao lado da palavra, marcou uma produção reconhecida pela leveza de raciocínio e pelo humor refinado.
Segundo a curadora Isa Pessoa, a proposta é mostrar como as ideias nasciam ao longo de 50 anos de carreira. Entre os materiais expostos estão cadernos de rascunho com frases escritas à mão, como “a passa é a múmia da fruta”, que dão uma noção do processo criativo do autor. A curadora descreve o percurso como uma entrada na pré-criação, em suas várias camadas, e cita o exemplo de um bilhete de hotel em que Veríssimo começa a desenhar um boneco, apontado por ela como um pré-pai da família Brasil.
A montagem foi organizada a partir de frases ditas pelo próprio autor. As Cobras, personagens que dão palpite sobre tudo, ocupam um espaço central na mostra. Isa Pessoa lembra o que Veríssimo dizia sobre a dupla: “olha, as cobras nasceram da preguiça, né? Eu sou mal desenhista e [para] as cobras basta um pescoço e dois olhinhos e você faz as cobras, é muito fácil”. A curadora observa que a própria maneira como ele contava isso é engraçada e avalia que o alcance pop do autor sempre esteve ancorado no território da classe média.
O acervo inclui ainda fotografias de quando o autor foi homenageado pela escola Imperatriz do Samba no carnaval de Porto Alegre e desfilou em um carro alegórico, além de uma flâmula do Internacional, time sobre o qual o colorado convicto escreveu sua primeira crônica. Imagens de Veríssimo na infância e ao lado do pai, o escritor Erico Veríssimo, também fazem parte da exposição.
Um segmento dedicado ao jazz reúne uma réplica da poltrona vermelha que existia na casa da família e discos da coleção do autor. Veríssimo tocava saxofone e clarinete e quis ser músico antes de se tornar escritor. Seu primeiro livro, “O Popular, crônicas ou coisa parecida”, foi publicado quando ele já tinha 37 anos. O último desenho do autor, feito em março de 2022, foi dado à esposa Lúcia e pode ser visto na mostra.
Análise WeekNews: A reunião de cadernos, bilhetes e desenhos preparatórios desloca o foco da obra publicada para o percurso que a antecede. Ao expor rascunhos e objetos pessoais, a mostra documenta um método de trabalho baseado na escrita e no desenho cotidianos, o que ajuda a explicar a longevidade de uma produção que atravessou cinco décadas e transitou entre crônica, humor e charge.
Fonte: Agência Brasil.
