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A partir desta terça-feira (29), o Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória, em Salvador, abre ao público a exposição Atlântico Sertão. A mostra reúne cerca de 80 artistas contemporâneos de diversas linguagens artísticas e chega à capital baiana depois de passar por São Paulo. A visitação é gratuita e segue em cartaz até 29 de janeiro do próximo ano.
Com curadoria de Marcelo Campos, a exposição foi idealizada por Marina Maciel, mestra e doutoranda em Direito pela Universidade de Brasília, que desenvolve pesquisas sobre a arte como meio de defesa dos direitos humanos. O projeto parte das pesquisas acadêmicas da idealizadora e tem como referência o sentido metafórico do verso “O sertão está em toda parte”, de Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas”.
A proposta é revisitar duas geografias: o Atlântico costeiro, historicamente marcado por influências impostas e pela violência colonial, e o Sertão, frequentemente associado a um espaço isolado e à marginalização. A mostra apresenta esses territórios como espaços de criação, circulação de saberes e resistência em defesa dos direitos humanos.
Organizada em núcleos curatoriais, a exposição reúne artistas de várias regiões do país, em sua maioria do Norte e do Nordeste. Os trabalhos abordam temas como ancestralidade, espiritualidade, comunidade, meio ambiente e identidade, afastando-se de estereótipos sobre o sertão. O ambiente sertanejo é apresentado também como território de tecnologia, inovação e preservação ambiental.
O diálogo entre o público e os artistas ocorre por meio de pinturas, esculturas, fotografias, vídeos e instalações. Entre as obras que compõem o projeto, há trabalhos realizados especialmente para a exposição, dos artistas Rose Afefé, Biarritzzz, Alê Siqueira, Maré de Matos e Rebeca Miguel.
Após a temporada em Salvador, Brasília deve receber Atlântico Sertão no primeiro semestre do ano que vem.
Análise WeekNews: A itinerância da mostra, que passa por São Paulo, Salvador e tem Brasília prevista para o primeiro semestre de 2027, amplia o alcance de um projeto que articula produção artística contemporânea e pesquisa acadêmica sobre direitos humanos. Ao reunir majoritariamente artistas do Norte e do Nordeste e propor uma leitura do sertão distante de estereótipos, a exposição ocupa um espaço institucional na capital baiana e insere esse debate em um circuito que já passou pela capital paulista.
Fonte: Agência Brasil.
