
As embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália no Brasil anunciaram a suspensão dos serviços consulares presenciais a partir desta sexta-feira (2), em todas as cidades com atendimento ao público. Os dois governos alegam questões de segurança, mas não detalharam quais seriam as ameaças. A decisão ocorre a dois dias do 1º turno das eleições gerais.
No caso australiano, o comunicado divulgado no site do governo dedicado a turistas no Brasil menciona explicitamente o risco de terrorismo. O texto alerta para a possibilidade de ataques em locais públicos, especialmente em áreas turísticas ou em pontos frequentados por estrangeiros e onde grandes multidões possam se reunir. O governo da Austrália classifica o Brasil no nível 2 de sua escala de alertas, que vai de 1 a 4 e recomenda “exercer um alto grau de cautela”.
A representação dos Estados Unidos afirmou que a suspensão ocorre “devido a preocupações com a segurança” e orientou os cidadãos americanos que precisarem de assistência emergencial a não se dirigirem à Embaixada, aos Consulados ou a outras instalações diplomáticas do país. Nesses casos, a embaixada pede que os estadunidenses utilizem os contatos do plantão. Com a medida, os consulados em Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo devem ficar fechados.
A Austrália e os EUA integram a parceria de inteligência conhecida como Five Eyes, ao lado de Nova Zelândia, Reino Unido e Canadá. O acordo de cooperação nas áreas de segurança, inteligência e defesa foi construído a partir de 1946, no fim da Segunda Guerra Mundial.
A suspensão das atividades consulares ocorre em meio a alertas de especialistas e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre possíveis novas interferências do governo de Donald Trump na eleição brasileira.
Análise WeekNews: A decisão simultânea de dois países que compartilham o mesmo arranjo de inteligência, às vésperas do pleito, dá peso institucional ao alerta, ainda que nenhuma das representações tenha detalhado as ameaças. O comunicado australiano é o único a citar terrorismo de forma explícita, enquanto os EUA se limitam a mencionar “preocupações com a segurança”. O fechamento dos postos consulares não interfere no processo eleitoral brasileiro, mas ocorre em um momento em que a Abin já havia sinalizado risco de interferência externa, o que amplia a percepção de cautela de governos estrangeiros em relação ao período eleitoral no país.
Fonte: Agência Brasil.
