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O jornalista Juan Williams fez um balanço público de sua trajetória de três décadas na Fox News, rede que ajudou a construir desde os primeiros anos e que, segundo ele, transformou a forma de fazer notícias na televisão a cabo nos Estados Unidos. Williams chegou à emissora em 1996, quando deixou a CNN para integrar o time de uma operação recém-lançada pelo empresário Rupert Murdoch.
Na época, a decisão foi recebida com desconfiança. A esposa de Williams chegou a classificá-lo como “louco” por abandonar uma posição consolidada na CNN, com três filhos pequenos em idade escolar, para se juntar a uma rede iniciante que enfrentava dificuldades até para ser distribuída em sistemas de cabo de grandes cidades, incluindo Nova York. Williams conta que apostou no caráter inovador e na disposição do novo projeto de ocupar o espaço de quem não assistia a notícias.
Segundo o jornalista, a Fox News cresceu ao adotar uma linguagem própria: gráficos coloridos, ritmo acelerado, histórias de crime e guerra em destaque e apresentadores que falavam com o público como amigos e vizinhos, e não como especialistas distantes. Brit Hume, hoje analista político-chefe da Fox, disse a Williams no início que a emissora estava disposta a cobrir histórias ignoradas pelas concorrentes e a “pegar o dinheiro que os outros deixavam na rua”.
A rede também inovou ao dar espaço a vozes de centro-direita e a republicanos que se sentiam outsiders em outras emissoras. Roger Ailes, primeiro chefe da Fox News e ex-consultor do Partido Republicano, e seu principal auxiliar de programação, Chet Collier, democrata que havia sido mentor de Ailes no programa “The Mike Douglas Show”, foram os responsáveis por contratar Williams. A proposta era que ele trocasse argumentos com as personalidades de direita da casa — algo que, segundo o próprio jornalista, aceitou de bom grado.
Williams relembra que a audiência subiu gradualmente à medida que os espectadores descobriam debates acalorados entre personagens que apontavam dedos, sorriam e reviravam os olhos. A cobertura do escândalo envolvendo o presidente Bill Clinton e uma estagiária da Casa Branca, o impeachment e as reportagens sobre o caso Monica Lewinsky impulsionaram os índices. Ele destaca ainda o papel de Brit Hume, então editor-geral, que sustentava horas de transmissões ao vivo de audiências e coletivas, enquanto a equipe lidava com equipamentos novos e produtores gritando notícias de última hora nos pontos eletrônicos.
O jornalista também recorda a estreia de “Fox News Sunday”, que não tinha estúdio pronto e obrigou o primeiro moderador, Tony Snow, e o produtor-chefe, Marty Ryan, a buscar casas históricas e jardins em Washington. Para ele, o programa, com um painel que incluía Fred Barnes, Mort Kondracke, Mara Liasson, Bill Kristol e Charles Krauthammer, tinha como meta falar diretamente às paixões populistas da política e não dar trégua aos convidados.
A eleição presidencial de 2000, a recontagem na Flórida e a decisão da Suprema Corte por 5 a 4 que garantiu a vitória a George W. Bush colocaram a Fox em posição privilegiada para cobrir 24 horas de notícias e análises. Os ataques de 11 de setembro de 2001 e as guerras no Iraque e no Afeganistão consolidaram a operação jornalística da rede e sua proximidade com o governo republicano.
Williams cita como momento marcante a noite gelada em Des Moines em que o painel da Fox percebeu que Barack Obama venceria os caucus de Iowa. No ar, ele chorou ao tentar explicar o significado daquele resultado para a história americana e para os negros. Outra lembrança é ter sido vaiado por uma plateia de republicanos da Carolina do Sul em 2012, ao questionar Newt Gingrich sobre o uso de retórica racial em relação a Obama e aos pobres. O episódio se tornou um dos primeiros momentos virais de uma campanha presidencial na era da internet.
No segundo mandato de Obama, Williams passou a atuar com mais frequência nos estúdios de Nova York como coapresentador de “The Five”. A partir de 2015, viveu quase uma década na cidade para comandar o programa, no qual era descrito por Ailes como contraponto de centro-esquerda aos conservadores. O jornalista lembra que “The Five” se tornou o programa número um do canal número um da TV a cabo e defendeu a ideia de que americanos de todas as tendências podem encontrar terreno comum na defesa do debate honesto.
Williams afirma ter escrito mais de uma dúzia de livros nos últimos 30 anos e relata que, em turnês de lançamento, conservadores de direita lhe dizem que discordam dele, mas gostam de ouvir um ponto de vista diferente de alguém em quem confiam. Ele também observa que, desde que a Fox se tornou o canal de notícias a cabo mais assistido, é comum que mais democratas assistam à Fox do que a qualquer outra emissora do segmento.
Análise WeekNews: A trajetória relatada por Juan Williams evidencia como a Fox News ocupou um espaço que as emissoras tradicionais deixavam em aberto, combinando cobertura de histórias pouco exploradas com uma audiência que se identificava com uma linguagem menos formal. O relato também indica que a presença de uma voz liberal em um ambiente majoritariamente conservador funcionou, na prática, como diferencial de programação e de audiência, sem que isso signifique necessariamente uma mudança no perfil editorial da emissora.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/opinion/juan-williams-wife-thought-crazy-join-fox-news-glad-did.
Fonte: Fox News.
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2026-10-02 18:00:00

