
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revisou para baixo a projeção de superávit da balança comercial brasileira em 2026, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. A queda nas estimativas do preço do petróleo é o principal motivo da mudança, informada nesta terça-feira (6).
A nova previsão aponta exportações de US$ 382,5 bilhões, ante US$ 394,4 bilhões na estimativa anterior, e importações de US$ 298,1 bilhões, contra US$ 304,4 bilhões. Na prática, a projeção para as vendas externas caiu US$ 11,9 bilhões, enquanto a estimativa para as compras recuou US$ 6,3 bilhões.
Mesmo com o corte, o resultado projetado representa alta de 24% em relação ao superávit de 2025, quando o país encerrou o ano com saldo positivo de US$ 68,1 bilhões. As exportações projetadas para 2026 indicam crescimento de 9,8% sobre 2025, e as importações devem avançar 6,4%.
Se confirmada, a projeção será o segundo maior superávit da série histórica, atrás apenas de 2023, quando o saldo chegou a US$ 98,9 bilhões. Esta é a segunda revisão da estimativa feita pelo Mdic em 2026: a previsão inicial era de US$ 72,1 bilhões, elevada para US$ 90 bilhões em julho.
O petróleo é o fator central da revisão. O barril chegou a US$ 138 em abril, após a entrada dos Estados Unidos na guerra com o Irã, mas recuou depois. Mesmo com a alta das últimas semanas, o barril do tipo Brent, referência internacional, está em torno de US$ 100. A variação afeta os dois lados da balança, já que o Brasil exporta petróleo bruto e importa derivados.
Para atingir o novo resultado, o país precisará acumular superávit de aproximadamente US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro, valor próximo ao registrado no último trimestre de 2025, de US$ 21,8 bilhões. Segundo Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, a estimativa está próxima do desempenho observado até setembro. “Estamos prevendo três meses à frente. Então, é natural que esses números se aproximem e tenhamos já um cenário bastante consolidado para o que vai ser o fechamento do ano”, afirmou.
Setembro
A balança comercial registrou superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro, alta de 146,4% sobre os US$ 3,14 bilhões do mesmo mês de 2025. Foi o maior saldo mensal desde junho, quando o resultado positivo chegou a US$ 9 bilhões.
No mês passado, as exportações somaram US$ 34,42 bilhões, avanço de 12,9% na comparação anual, enquanto as importações ficaram em US$ 26,68 bilhões, queda de 2,4%. O crescimento das vendas externas foi influenciado principalmente pelos preços: em média, os valores das mercadorias exportadas subiram 9,9%, e o volume embarcado cresceu 2,3%. Setembro teve 21 dias úteis, um a menos que no mesmo mês de 2025; na média diária, as exportações cresceram 18,3%.
O petróleo bruto foi um dos principais responsáveis pelo desempenho do mês, com exportações de US$ 6,49 bilhões, alta de 77,3% em relação a setembro do ano passado.
Análise WeekNews: a revisão do Mdic concentra-se em um único vetor, o preço internacional do petróleo, que pressiona simultaneamente exportações e importações brasileiras. O corte de US$ 5,6 bilhões no superávit projetado não altera a trajetória de crescimento prevista para 2026, mas mostra que o resultado final dependerá, em boa medida, da cotação do barril nos próximos meses. O desempenho de setembro, impulsionado por preços e pelo petróleo bruto, sustenta a avaliação do ministério de que o cenário até aqui está próximo do projetado.
Fonte: Agência Brasil.
