Espanha terá greve geral por moradia em 11 de novembro, às vésperas da campanha eleitoral

Espanha terá greve geral por moradia em 11 de novembro, às vésperas da campanha eleitoral
Fonte da imagem: Agência Brasil


As duas principais centrais sindicais da Espanha convocaram uma greve geral de 24 horas para 11 de novembro em resposta à crise habitacional do país. A paralisação foi anunciada pela UGT e pela CCOO (Comisiones Obreras) e ocorrerá às vésperas do início da campanha para as eleições legislativas antecipadas, marcadas para 29 de novembro.

O secretário-geral da UGT, Pepe Álvarez, afirmou que a greve atende a um apelo das associações reunidas na Confederação de Sindicatos de Inquilinas, que defendem o direito à habitação e reivindicam “salários dignos para uma moradia digna”. “Vamos nos juntar no dia 11, tal como todos estes coletivos têm vindo a definir, com a convocatória de uma greve geral”, declarou Álvarez, acrescentando que a data foi acertada com a CCOO.

Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, durante votação no Parlamento espanhol, em Madri
2 de outubro de 2026 REUTERS/Violeta Santos Moura
Fonte da imagem: Agência Brasil

Será a primeira greve geral no país em 14 anos. A última convocada pelas duas centrais ocorreu em 2012.

A convocação acontece em um momento de forte pressão social. Desde 23 de setembro, as associações de inquilinos têm mobilizado milhares de pessoas em protestos diários contra ações de despejo. Na segunda-feira (5), o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou a antecipação das eleições, decisão tomada dois dias depois de o Parlamento derrubar decretos com medidas para a habitação.

Críticas

O anúncio da greve gerou reação imediata de entidades empresariais e partidos de oposição. A Confederação Espanhola de Organizações Empresariais questionou a legalidade da paralisação, por considerar que a questão habitacional não é de natureza trabalhista, e apontou oportunismo político no momento escolhido. “A greve tem um claro componente político e eleitoral e parece ter mais como alvo a oposição do que o Governo do socialista Pedro Sánchez”, disse o presidente da entidade, Antonio Garamendi.

O Partido Popular (PP, direita) e o Vox (extrema-direita) também criticaram a convocação. O porta-voz do PP, Borja Sémper, classificou a decisão como “eminentemente política” e afirmou que ela tem a intenção de favorecer a ação política de Sánchez. O partido destacou ainda que os sindicatos chegaram a um acordo após oito anos de governos liderados pelo socialista, cujo “grande fracasso” seria a habitação, com os preços de imóveis e aluguéis disparando nos últimos anos.

O primeiro-ministro e líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, comentou a convocação dizendo que o movimento paredista “afeta muitos trabalhadores e trabalhadoras e suas respectivas famílias” e que, portanto, “a única coisa que o Governo pode fazer é respeitar esse direito constitucional”.

Análise WeekNews: A greve geral convocada por UGT e CCOO ocorre em um calendário político já definido, com eleições legislativas antecipadas para 29 de novembro e campanha começando logo após a paralisação. Na prática, o movimento sindical e as associações de inquilinos colocam a crise habitacional no centro do debate eleitoral, enquanto o governo de Pedro Sánchez viu o Parlamento derrubar decretos com medidas para o setor. A reação de empresários e partidos de oposição, que questionam a legalidade e o timing da greve, indica que a questão da moradia tende a se tornar um dos principais eixos da disputa eleitoral.

Fonte: Agência Brasil.

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