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O Cine Aruanda, no Campus da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, recebe nesta sexta (9) e no sábado (10) a primeira Mostra Paraibana de Cinema de Guerrilha. O evento reúne produções independentes e de baixo orçamento de realizadores paraibanos, com exibição de 22 filmes ao longo dos dois dias.
A abertura acontece na sexta-feira, às 18h, com a exibição de sete curtas-metragens divididos em dois blocos. Após cada bloco, o público participa de bate-papo com os realizadores. A noite termina com a mesa redonda “Como pensar o Cinema de Guerrilha para além da produção de baixo orçamento”.
No sábado, a programação começa às 15h e prevê a exibição de outros 15 filmes, entre ficções e documentários, além de pelo menos três momentos de interação com os realizadores.
Entre os destaques estão dois documentários que investigam o período da ditadura militar. “Usina Cambahyba: Das Cinzas da Tortura à Terra”, de Marcelo Fonseca, trata de denúncias do uso de fornalhas de usinas para a incineração de corpos durante o regime, principalmente de vítimas ligadas ao movimento de trabalhadores rurais e integrantes das ligas camponesas no estado.
Já “Praça de Guerra”, do cineasta Ed Júnior, aborda a história de um grupo de jovens de Catolé do Rocha, no Sertão da Paraíba, que nos anos 1960 decidiu criar um foco de guerrilha para enfrentar o coronelismo da região e o regime militar.
A programação completa está disponível na página oficial @mostracinemadeguerrilha.
Análise WeekNews: A mostra ocupa um espaço específico do circuito paraibano ao reunir, em um mesmo evento, curtas de baixo orçamento e documentários que revisitam episódios da ditadura militar no estado. A escolha de abrir e encerrar a programação com debates com os realizadores indica que a proposta não se limita à exibição: busca também discutir o próprio conceito de cinema de guerrilha para além da restrição orçamentária. Ao dedicar parte da seleção a temas como a Usina Cambahyba e a guerrilha de Catolé do Rocha, a curadoria aproxima a produção independente local de uma memória histórica ainda pouco explorada no audiovisual paraibano.
Fonte: Agência Brasil.
