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Quase 14 milhões de hectares de vegetação nativa foram destruídos no Cerrado a menos de 500 metros de cursos d’água nos últimos 40 anos. O volume corresponde a um quarto de toda a vegetação suprimida no bioma no período e equivale à área do estado do Amapá.
Os dados foram divulgados pelo MapBiomas nesta quinta-feira, 8, com base em análise da cobertura e do uso da terra entre 1985 e 2025. O levantamento aponta que a supressão de vegetação nas margens dos rios compromete diretamente os recursos hídricos.
Segundo o MapBiomas, a retirada da cobertura vegetal próxima aos cursos d’água pode aumentar o assoreamento, afetar a qualidade e a disponibilidade da água e deixar o terreno mais vulnerável a secas e chuvas intensas.
O impacto também é social. A pesquisadora do MapBiomas Bárbara Costa explica que a degradação em trechos mais altos de um rio pode repercutir sobre quem utiliza a água em áreas mais baixas.
“O que acontece é que, por exemplo, a parte que é mais alta do rio, ela pode repercutir sobre quem tá utilizando a água lá na parte mais baixa. Então, dependendo da bacia, isso também pode envolver questões relacionadas ao abastecimento urbano, rural, irrigação, a própria produção agropecuária, pesca, turismo e a geração de energia”, afirma.
O Cerrado é conhecido como o berço das águas do Brasil, pois nele nascem rios de seis grandes bacias hidrográficas do país. Bárbara Costa destaca que a preservação da vegetação do bioma tem efeitos que ultrapassam seus limites.
“Preservar a vegetação no Cerrado, ela é importante não só para manter a biodiversidade do bioma, mas também para preservar processos que são ecológicos, hidrológicos e que sustentam a disponibilidade e a qualidade da água em diferentes regiões do país, não só no Cerrado”, ressalta a pesquisadora.
As bacias do Alto Tocantins e do Araguaia concentram as maiores perdas de vegetação nativa na faixa de até 500 metros dos rios: cerca de 5,7 milhões dos 14 milhões de hectares suprimidos. As duas bacias abrangem os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará, Maranhão e o Distrito Federal.
Análise WeekNews: os números do MapBiomas indicam que a pressão sobre o Cerrado não se limita à conversão de áreas distantes dos cursos d’água. A concentração das perdas nas bacias do Alto Tocantins e do Araguaia, que abastecem diferentes regiões do país, sugere que os efeitos da supressão podem alcançar áreas além do próprio bioma, com desdobramentos para o abastecimento e para atividades econômicas que dependem da água.
Fonte: Agência Brasil.
