
A Polícia Federal negou nesta sexta-feira (9) a existência de um depoimento em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria afirmado ter liberado dinheiro para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. A informação sobre o suposto depoimento foi publicada pela revista Veja.
Em nota, a corporação afirmou que “Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”.
O advogado do ex-banqueiro, Daniel Bialski, disse à Agência Brasil não ter conhecimento desse suposto financiamento. Ele esclareceu que não estava à frente da defesa de Vorcaro quando as propostas de colaboração foram apresentadas, mas garantiu que não houve nenhum novo depoimento à PF ou a qualquer outro órgão tratando do assunto. Bialski afirmou não ter tido acesso a qualquer documento que comprovasse tal financiamento e ressaltou que seu cliente nunca falou com ele sobre o tema.
Diante da reportagem, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que pedirá à publicação o direito de resposta e a correção das informações divulgadas. O órgão entende que houve “divulgação de informações apontadas como inverídicas e gravemente ofensivas a autoridades federais”.
O grupo Prerrogativas, formado por juristas do campo progressista, pediu que a Polícia Federal realize uma perícia no áudio também divulgado pela Veja, a 16 dias do segundo turno das eleições presidenciais, no qual o ex-banqueiro implica Lula. Segundo o grupo, há suspeitas de que a gravação tenha sido adulterada, mediante montagem de trechos ou uso de inteligência artificial, com a finalidade de interferir no segundo turno.
O Prerrogativas acrescenta que não existem informações sobre quando, onde e em quais circunstâncias o áudio teria sido gravado. O grupo afirmou à PF ter recebido a informação de que o áudio não seria autêntico ou íntegro, “tendo sido produzido por montagem de trechos gravados em contextos diversos ou por síntese de voz, com a finalidade de interferir no processo eleitoral”. O grupo alerta ainda que, caso comprovada a fraude, os responsáveis poderão responder aos crimes de fraude processual e delitos eleitorais relacionados à divulgação de informações sabidamente falsas.
O episódio guarda semelhança com o caso do dinheiro dado por Vorcaro ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro para ajudar a financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao contrário do que consta na matéria da Veja, a ajuda de Vorcaro a Flávio foi comprovada em um áudio revelado pelo site Intercept em maio deste ano.
No áudio, cuja veracidade foi confirmada por Flávio Bolsonaro, o próprio senador e candidato à presidência pede dinheiro para custear o filme. Expressando intimidade e amizade, Bolsonaro pede ajuda para evitar o calote nos atores do filme, inclusive o ator norte-americano Jim Caviezel, que interpreta o personagem principal, e no diretor Cyrus Nowrasteh.
“É porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim, né?”, disse o senador, ainda em setembro de 2025.
Segundo a PF, Flávio pediu R$ 131 milhões a Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos.
Análise WeekNews: A negativa da Polícia Federal e o pedido de direito de resposta da AGU deslocam o eixo da discussão para a verificação da autenticidade do áudio divulgado a menos de três semanas do segundo turno. O pedido de perícia formulado pelo grupo Prerrogativas reforça que, no estágio atual, o conteúdo da gravação permanece sob questionamento, sem confirmação oficial. O caso também evidencia como episódios envolvendo financiamento de produções cinematográficas ligadas a candidatos passaram a ocupar o centro do noticiário eleitoral, como já ocorrera no caso do filme Dark Horse.
Fonte: Agência Brasil.
