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O músico baiano Tom Zé, nascido Antônio José Santana Martins em Irará, no sertão da Bahia, em 11 de outubro de 1936, completa 90 anos nesta data. A trajetória do artista é celebrada na exposição gratuita “Tom Zé – 90 anos do Inquieto Jardineiro de Sons”, em cartaz na Caixa Cultural, em São Paulo, até 13 de dezembro. A mostra reúne elementos de sua obra experimental, como o “buzinório”, instrumento que conecta várias buzinas e pode ser visto pelo público.
A produção musical recente acompanha a data. Em 2022, Tom Zé lançou o álbum de estúdio “Língua Brasileira”. Neste 9 de outubro, saiu o álbum ao vivo de um show gravado no Sesc há 30 anos. Em agosto, foi divulgada a música inédita “Futuro Fruto”, parceria com Marcelo Segreto e Loretta, músicos de diferentes gerações.
Nascido no sertão baiano, Tom Zé passou em primeiro lugar no vestibular da Escola de Música em Salvador, onde conheceu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa. Integrou o movimento tropicalista em São Paulo e participou do disco “Tropicália ou Panis et Circencis”, de 1968, mesmo ano em que lançou seu álbum de estreia, “Grande Liquidação”, e venceu o 4º Festival de Música Popular Brasileira com a canção “São, São Paulo”.
A capital paulista se tornou tema recorrente de suas composições, como “Augusta, Angélica e Consolação” e “A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel”. O trabalho do músico é marcado pela experimentação, do som produzido com uma enceradeira quebrada ao já citado “buzinório”. A curadora da mostra, Neuseli Martins, destaca a capacidade do artista de dialogar com várias gerações. “Ele inspira pessoas dos 10 aos 100. Vendo ele em atividade criando, gravando, principalmente dialogando com várias gerações, acho isso uma característica muito incrível dele. Ele é uma pessoa que está sempre buscando descobrir alguma coisa nova ou ver as coisas de uma forma diferente”, afirma.
Em meados dos anos 1970, Tom Zé aprofundou suas experimentações, desconstruindo canções a partir de fragmentos musicais. Considerado experimental demais, ficou fora da mídia até os anos 1980, quando foi redescoberto após seu disco “Estudando o Samba” chegar às mãos de David Byrne, ex-líder da banda Talking Heads, que lançou a obra do brasileiro no exterior. A partir disso, voltaram as turnês e gravações nos anos 1990.
O músico Jarbas Mariz, que gravou e tocou com Tom Zé por 32 anos, relata aprendizados da parceria. “Dinâmica na música, aquela coisa de tan dan dan dan, e vai lá pra baixo, vai na coisa da dinâmica na música popular. Pegar qualquer instrumento, transformar aquilo ali em som e colocar na sua música, também aprendi isso com ele. E aquele bandolim maluco que eu tocava com ele, um bandolim percussivo, que foi ele que introduziu na minha cabeça”, conta.
Sobre o segredo para seguir compondo e fazendo shows aos 90 anos, Tom Zé cita a rotina de práticas orientais que aprendeu em São Paulo. “De manhã, se eu não fizer as coisas orientais que eu aprendi aqui em São Paulo e que prolongam a vida, a ginástica para o estômago, para cabeça, para intestino, para vista, para ouvido… Eu de manhã faço práticas que têm a ver com todos os funcionamentos humanos. E enquanto eu fizer isso, eu vou tá vivo aí, se Deus quiser”, diz.
Análise WeekNews: A exposição e os lançamentos simultâneos indicam que a obra de Tom Zé segue sendo revisitada e ampliada em diferentes frentes. A mostra na Caixa Cultural, com entrada gratuita e quase dois meses de duração, amplia o acesso do público a um acervo marcado pela experimentação, enquanto as parcerias com músicos de outras gerações sugerem continuidade do diálogo criativo que caracteriza sua trajetória.
Fonte: Agência Brasil.
