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A morte de uma pesquisadora de 28 anos do Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk, na Sibéria, no dia 2 de outubro de 2026, colocou novamente sob escrutínio internacional o programa de armas biológicas que a Rússia herdou da União Soviética. O caso ganhou destaque depois que o governo dos Estados Unidos voltou a afirmar que Moscou mantém um programa ofensivo desse tipo, em violação às obrigações assumidas no âmbito da Convenção sobre Armas Biológicas (BWC, na sigla em inglês), tratado que proíbe o desenvolvimento, a produção e o armazenamento de armas biológicas.
Segundo autoridades russas, nenhum microrganismo ligado à atividade profissional da pesquisadora foi encontrado. A Organização Mundial da Saúde já solicitou a Moscou informações adicionais sobre a causa da pneumonia que levou a mulher à morte. Não há, até o momento, evidência que vincule o falecimento ao programa de armas biológicas do país.
O caso trouxe de volta ao debate as revelações feitas na década de 1990 por Ken Alibek, ex-número dois da estrutura soviética de armas biológicas, que desertou para os Estados Unidos. Marshall Billingslea, então assessor do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, entrevistou Alibek naquele período e, segundo relatou, tomou conhecimento da dimensão do programa soviético. “Acho que uma das coisas mais importantes que Ken esclareceu foi a escala gigantesca do programa soviético, que a Rússia depois herdou”, afirmou Billingslea. “Simplesmente colossal.”
Billingslea, que mais tarde atuou como enviado presidencial especial para controle de armas no governo de Donald Trump, disse que as revelações de Alibek incluíam esforços soviéticos para alterar patógenos com o objetivo de torná-los mais letais, transmissíveis ou difíceis de tratar. Entre os pontos mais preocupantes estavam os trabalhos com a peste. “O objetivo era tornar a bactéria da peste muito mais resistente a antibióticos”, declarou. Segundo ele, os pesquisadores soviéticos também experimentaram combinar a peste com patógenos produtores de toxinas, de modo que o tratamento com antibióticos pudesse desencadear a liberação de toxinas.
Billingslea ressaltou que os Estados Unidos não se basearam apenas no relato de Alibek para compreender o programa, citando “múltiplas outras fontes de informação” que o deixam “muito confiante no básico” sobre as pesquisas da era soviética. Ele afirmou que, quando entrevistou Alibek, em meados da década de 1990, Washington já havia confrontado Moscou sobre o tema. “Sabíamos dos programas com peste, sabíamos o que estavam fazendo e sabíamos onde ficavam os locais”, disse.
Entre as instalações identificadas por Alibek estavam pelo menos seis laboratórios do Ministério da Saúde soviético que tinham missões legítimas de saúde pública civil, mas também realizavam trabalho classificado ligado ao programa de armas biológicas. O instituto de Irkutsk estava entre eles, segundo Billingslea. Ele ponderou, no entanto, que não se recorda de Alibek ter dito que a peste resistente a antibióticos ou as quimeras de peste tenham sido desenvolvidas especificamente naquele local.
O relatório de conformidade em controle de armas do Departamento de Estado americano de 2025 avaliou que o programa soviético foi “absorvido, não desmantelado” pela Rússia após o colapso da União Soviética, e que “continuou e evoluiu” desde então. Um funcionário do Departamento de Estado afirmou que “a Rússia mantém um programa ofensivo de armas biológicas e está em violação de suas obrigações sob a BWC”.
Billingslea defendeu que a cobrança por respostas não parta apenas de Washington. “É muito, muito importante que isso não seja visto como uma discussão entre Estados Unidos e Rússia”, disse. “Este é um tema de grave preocupação para toda a comunidade internacional.” Ele pediu que a Rússia divulgue a sequência genética do patógeno que matou a pesquisadora, além de informações sobre testes de contato, a cronologia da doença e os procedimentos de biossegurança do instituto. Segundo ele, a sequência genética permitiria a especialistas externos determinar “o que era e se foi modificado”.
O ex-enviado americano também conclamou países fora do sistema tradicional de alianças dos Estados Unidos, incluindo Brasil e México, a pressionar Moscou por maior transparência, e apontou a reunião de dezembro das partes da Convenção sobre Armas Biológicas como oportunidade para confrontar a Rússia. “Na reunião de dezembro, a Rússia vai ser sabatinada”, afirmou. “E deveria ser.”
Análise WeekNews: O episódio em Irkutsk reacende uma cobrança que antecede o caso atual e que se apoia em avaliações oficiais americanas sobre a continuidade do programa soviético sob a Rússia. A ausência de evidência que ligue a morte da pesquisadora ao programa de armas biológicas mantém o caso no terreno das perguntas sem resposta. Ainda assim, a divulgação de informações como a sequência genética do patógeno e os protocolos de biossegurança do instituto é tratada por Billingslea como forma de permitir verificação externa. O chamado para que países como Brasil e México integrem essa pressão indica que o tema tende a permanecer na agenda multilateral, com a reunião de dezembro da BWC como próximo ponto de cobrança.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/politics/plague-mystery-revives-concerns-russian-bioweapons-program.
Fonte: Fox News.
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2026-10-10 07:00:00


