
O governo federal mobilizou uma força-tarefa para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas, estado que registrou 1.380 focos de fogo nos dez primeiros dias de outubro, aumento de 271% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 372 registros. Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
A operação prevê o envio de dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), que se juntarão às aeronaves já empregadas no estado. As duas aeronaves já estavam em deslocamento, com previsão de chegada a Manaus neste domingo (11) e início das operações na segunda-feira (12). A mobilização inclui ainda quatro aeronaves Air Tractor e dois helicópteros. Segundo o governo federal, 290 brigadistas federais já atuam no Amazonas.
Neste sábado (10), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu, em caráter sumário, a situação de emergência decretada pelo governador do Amazonas, Roberto Cidade, em 36 municípios. A medida é uma etapa necessária para viabilizar a liberação de recursos federais destinados ao enfrentamento da crise.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, chegou ao estado no sábado para acompanhar a mobilização. “Não vai faltar nada: equipamentos, veículos, homens, recursos, tudo o que for preciso será disponibilizado”, afirmou. O titular da pasta informou ainda que o governo federal vinha negociando com o estado para acelerar a decretação da emergência e o pedido de reconhecimento nacional. Para este domingo, está previsto um sobrevoo do ministro sobre áreas atingidas pelos incêndios, seguido de entrevista coletiva sobre as ações em andamento.
Apoio de São Paulo
O governo de São Paulo mobilizou 30 profissionais para apoiar as operações no Amazonas. A equipe é formada por 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil paulista. O embarque estava previsto para as 13h deste domingo (11), e os agentes levarão equipamentos e insumos para auxiliar no combate ao fogo e nas ações de proteção da população, do patrimônio e do meio ambiente. A atuação integra uma iniciativa de cooperação entre os estados para ampliar a capacidade de resposta diante do avanço das queimadas.
Recursos e distribuição dos focos
Desde 2024, o governo federal disponibilizou R$ 45 milhões ao Amazonas, por meio do projeto ProAmazon, para reforçar a estrutura do Corpo de Bombeiros Militar no combate aos incêndios florestais. Desse total, R$ 34,7 milhões já foram liberados ao estado e cerca de R$ 10 milhões permanecem disponíveis para utilização, destinados à compra de viaturas, equipamentos de segurança e estruturação de bases operacionais. De acordo com registros do MIDR, o Amazonas recebeu R$ 372.065.406,32 nos últimos três anos para ações de socorro, assistência humanitária, reconstrução e restabelecimento de serviços essenciais após desastres.
A distribuição dos focos por situação fundiária indica 1.186 registros em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em áreas sem situação fundiária definida. O levantamento identificou ainda 246 focos em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação — números que se referem a categorias específicas de áreas atingidas e não devem ser somados aos totais por situação fundiária. Do total de registros, 174 foram classificados pelo painel como relacionados ao desmatamento; para os demais, os dados consultados não apontavam causa identificada.
Após reunião emergencial na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que reuniu representantes dos governos federal e estadual para coordenar as medidas de enfrentamento às queimadas e reduzir os impactos da fumaça sobre a população, o governador Roberto Cidade afirmou que a fumaça que encobre parte do Amazonas não é provocada apenas pelos incêndios registrados dentro do estado. Segundo ele, queimadas em outras unidades da Federação também contribuem para o problema.
Análise WeekNews: O volume de focos em áreas públicas (1.186 de 1.380) e a concentração de registros em assentamentos federais, terras indígenas e unidades de conservação indicam que a crise no Amazonas tem forte componente de fogo em territórios sob gestão federal, o que ajuda a explicar a mobilização direta de ministérios e da FAB. O reconhecimento sumário da emergência em 36 municípios e a chegada de equipes de outro estado sinalizam que a capacidade local, isoladamente, não tem dado conta da escala do problema neste início de outubro.
Fonte: Agência Brasil.
