Suspensão de canal de Janones no WhatsApp gera debate sobre limites da ação do TSE

Suspensão de canal de Janones no WhatsApp gera debate sobre limites da ação do TSE
Fonte da imagem: Agência Brasil


A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de derrubar o canal Exército do Lula no WhatsApp — revertida horas depois pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva — provocou reações na campanha presidencial e críticas de especialistas em direito digital. O canal reunia 3,3 milhões de pessoas e foi criado no segundo turno pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

Para a gerente de políticas públicas da organização de direitos humanos Witness, Bruna Santos, a medida foi “desproporcional” e destoa de outros entendimentos da Corte. “O fato de o TSE ter considerado que esse canal não deveria existir neste momento é uma potencial tentativa de restrição de mobilização de apoiadores do presidente Lula”, afirmou. Segundo ela, o mais adequado seria pedir a exclusão do conteúdo considerado falso, e não de todo o canal, o que, na sua avaliação, teria motivação “explicitamente política”.

jornalista e especialista em tecnologia Henrique Sampaio, coordenador de redes sociais da CTRL+Z. Foto: o_henriquesampaio/Instagram
Fonte da imagem: Agência Brasil

O jornalista e especialista em tecnologia Henrique Sampaio, coordenador de redes sociais da CTRL+Z, organização que monitora as big techs, também criticou a decisão. Para ele, o rótulo “fake news” não pode servir de justificativa genérica para suprimir um espaço de organização orgânica e legítima durante o pleito. Mesmo que fossem comprovadas infrações pontuais, disse, isso não justificaria automaticamente a exclusão de todo o grupo. Sampaio defendeu medidas menos abrangentes, como a remoção dos conteúdos específicos, e questionou se os mesmos critérios são aplicados a grupos bolsonaristas.

A decisão de Nunes Marques cita publicações feitas por Janones antes do primeiro turno como “sabidamente inverídicas”, segundo o TSE. Entre as postagens questionadas está uma que aponta suposto vínculo do candidato Flávio Bolsonaro (PL) com as milícias do Rio de Janeiro. No despacho, o ministro escreveu que a imputação de que o requerente seria “bandido” e teria envolvimento com milícia desborda os limites da crítica política regular e atinge sua honra objetiva. O ministro também afirmou que a remoção mensagem a mensagem não protege o eleitor, porque a atualização chega a mais de três milhões de aparelhos no instante em que é publicada, e citou que decisões anteriores contra Janones não interromperam a dinâmica do deputado.

Janones nega a disseminação de fake news e classificou a decisão como censura contra a campanha de Lula. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva chamou a medida de “intromissão indevida da Justiça Eleitoral”, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro vem pedindo aos apoiadores para “combater as fakes news da esquerda”.

Análise WeekNews: A reversão da decisão pelo corregedor-geral eleitoral, que liberou o caso para o plenário do TSE, indica que o tema ainda não está pacificado na Corte. O episódio evidencia a tensão entre o combate à desinformação e a preservação de espaços de mobilização política em plataformas digitais, debate que tende a acompanhar o restante do segundo turno.

Fonte: Agência Brasil.

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