
Os economistas norte-americanos Robert Hall e Michael Woodford foram anunciados nesta segunda-feira (12) como vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2026. A premiação reconhece décadas de trabalho no desenvolvimento de modelos que servem de base para a estabilização de economias, hoje utilizados por bancos centrais e ministérios da Fazenda em diversos países.
O anúncio foi feito em Estocolmo pelo Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas. “Graças a eles, estamos mais bem preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas no nível de consumo das famílias”, afirmou John Hassler, presidente do comitê, em comunicado.
Hall, de 83 anos, é professor da Universidade de Stanford, enquanto Woodford, de 70 anos, leciona na Universidade de Columbia. Os dois estão entre os pesquisadores mais citados por bancos centrais que enfrentam atualmente o choque inflacionário decorrente da guerra iniciada pelos Estados Unidos no Irã.
Uma das principais contribuições dos laureados é a ideia de que as economias só podem ser mantidas em equilíbrio quando se levam em conta as milhões de decisões tomadas em nível micro por famílias e empresas, em vez de se recorrer a teorias de cima para baixo sobre o funcionamento da economia.
“As autoridades não devem encarar a estabilização da economia como um exercício que se resume a pessoas acionando alavancas independentemente do que as pessoas na economia entendem sobre isso”, disse Woodford a jornalistas.
O economista lembrou que, ao contrário dos choques do petróleo da década de 1970, quando os bancos centrais tinham dificuldade para combater a inflação, uma nova estrutura se mostrou útil durante a crise financeira global do final dos anos 2000. “Fazer declarações mais explícitas sobre a trajetória futura provável da política de taxas de juros, em vez de depender simplesmente da capacidade de reduzir ainda mais as taxas de juros imediatamente, foi uma parte importante da resposta política a partir de 2009”, afirmou.
Além da chamada “orientação prospectiva” sobre os rumos da política monetária, o trabalho dos dois pesquisadores impulsionou conceitos usados até hoje, como o de inflação “rígida”, em que as variações de preços se atrasam em relação às mudanças na demanda, e o de “hiato do produto”, medida da pressão de demanda acumulada em uma economia e da eficiência no uso dos recursos. O objetivo da política de estabilização é conduzir esse hiato a zero.
Hall atuou como consultor do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, do Departamento de Justiça do país e do Conselho do Federal Reserve. Em artigo de 1978, apresentou a percepção de que as decisões das famílias sobre consumo são um indicador perfeito de suas expectativas, ideia posteriormente usada por Woodford em um modelo sobre como o consumo é determinado.
Em comunicado, Hall classificou o prêmio como uma “surpresa maravilhosa”. “Passei minha carreira tentando entender como a economia funciona”, disse. “Quando achava que tinha uma ideia nova, o próximo passo era descobrir se ela era realmente nova, se estava correta e se era relevante.”
Woodford também demonstrou que os bancos centrais podem estimular ou conter a atividade econômica ajustando as taxas de juros, e não apenas por meio da quantidade de dinheiro em circulação. A orientação prospectiva ganhou peso especial após a crise financeira de 2008, quando as taxas se aproximaram de zero ou ficaram negativas e a política monetária padrão parecia ter esgotado suas ferramentas. Atualmente, parte dos economistas questiona a relevância do instrumento diante da grande incerteza na economia global, tendo o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, como um cético notável.
O prêmio de economia é formalmente chamado de Prêmio do Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel e tem valor de 12 milhões de coroas suecas (US$ 1,2 milhão). Concedido pela primeira vez em 1969, não integra os cinco prêmios originais criados no testamento de 1895 do industrial e inventor da dinamite Alfred Nobel, tendo sido instituído pelo Banco Central da Suécia. A maioria dos premiados anteriores é dos Estados Unidos, e apenas três mulheres já venceram a categoria, a mais recente delas Claudia Goldin, em 2023.
No ano passado, Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt foram premiados por trabalhos sobre a “destruição criativa” e sobre como novas tecnologias e métodos de produção podem impulsionar o crescimento e os padrões de vida. Os Nobel de Medicina, Física, Química, Literatura e Paz foram anunciados na semana passada.
Análise WeekNews: A escolha de Hall e Woodford recai sobre uma linha de pesquisa que sustenta decisões concretas de política monetária há décadas, o que ajuda a explicar a citação frequente dos dois por bancos centrais. O reconhecimento ocorre em um momento em que a orientação prospectiva, um dos instrumentos associados ao trabalho dos laureados, enfrenta questionamentos diante da incerteza econômica global e da chegada de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve, apontado como um cético notável em relação ao mecanismo.
Fonte: Agência Brasil.
