Pesquisa aponta acesso gratuito a eventos culturais como prioridade para 42% dos brasileiros

Pesquisa aponta acesso gratuito a eventos culturais como prioridade para 42% dos brasileiros
Fonte da imagem: Agência Brasil


A ampliação do acesso gratuito a shows, filmes, espetáculos e exposições é a principal expectativa dos brasileiros em relação às políticas públicas de cultura. É o que mostra a 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais, do Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (14). Para 42% dos entrevistados, essa deve ser a prioridade dos próximos governantes.

O levantamento, que ouviu 2.448 pessoas de 16 a 65 anos em 137 municípios, entre 7 e 20 de julho de 2026, também revela que o acesso à cultura segue desigual no país. Entre os entrevistados das classes A e B, 97% participaram de alguma atividade cultural presencial nos últimos 12 meses, percentual que cai para 82% nas classes D e E. A diferença se acentua em atividades específicas: 63% dos brasileiros das classes A e B foram ao cinema no período, contra apenas 18% dos das classes D e E — uma distância de 45 pontos percentuais.

Um terço dos entrevistados (33%) afirma que não há sequer equipamentos culturais na região onde mora. O custo é apontado por 35% como o principal fator que desmotiva a participação presencial, considerando tanto o deslocamento quanto o ingresso. Entre quem frequenta eventos, 46% gastam até R$ 100 por mês com cultura; 14% desembolsam entre R$ 101 e R$ 150; 15% gastam entre R$ 151 e R$ 200; e 8% declaram gasto superior a R$ 400.

A insegurança aparece em segundo lugar (30%) entre os fatores que desanimam o público, seguida por disponibilidade de horário (23%), cansaço e desânimo (21%), distância dos eventos (19%), lotação (19%) e falta de transporte (16%). O medo de assaltos ou furtos na região dos eventos é citado por 47% dos entrevistados, e a falta de policiamento nas proximidades, por 43%. Riscos no trajeto foram mencionados por 29%. A violência contra as mulheres ou assédio nos espaços culturais foi apontada por 27%, alta de 6 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, com preocupação declarada por 38% das mulheres e 14% dos homens.

Além do acesso gratuito, a pesquisa mapeou outras demandas da população: 32% querem a criação de mais equipamentos ou instituições públicas de cultura, como museus, teatros e cinemas; 28% pedem melhoria, reforma, ampliação ou modernização dos espaços existentes; e 26% defendem financiamento e incentivo à produção cultural independente. O apoio a iniciativas em favelas, periferias e comunidades tradicionais foi citado por 22%, e a valorização e formação de artistas e profissionais da cultura, por 21%.

O acesso à cultura é direito garantido na Constituição Federal, e 68% dos entrevistados sabem disso. No entanto, 32% dizem não ter conhecimento dessa garantia e 27% afirmam não saber o que significa ter direito à cultura. Para a coordenadora do Observatório da Fundação Itaú, Ana Maria Cardoso, os dados mostram que o acesso ainda é bastante desigual, sobretudo sob a perspectiva socioeconômica ou de escolaridade. “Apesar das disparidades, tais dados não significam que pessoas das classes sociais mais baixas ou com menor escolaridade deem menor valor à cultura; ao contrário, o que a pesquisa mostra é que existem barreiras que vão além da subjetividade individual ou mesmo do gosto pessoal que interferem diretamente nesse acesso”, afirma.

Cardoso ressalta ainda que os resultados indicam caminhos para avançar, tanto no fortalecimento e ampliação da oferta de atividades gratuitas quanto na compreensão da população sobre o direito cultural.

Análise WeekNews: Os números da pesquisa mostram que a principal demanda cultural da população não é a criação de novos espaços nem o fomento à produção, mas a gratuidade. A ordem das prioridades citadas sugere que o obstáculo percebido é menos a oferta e mais o custo de participar. Ao mesmo tempo, a distância de 45 pontos percentuais entre classes no acesso ao cinema e o fato de um terço dos entrevistados não ter equipamentos culturais na região indicam que a desigualdade de acesso combina barreiras de renda e de infraestrutura. A insegurança, citada por quase metade dos entrevistados, acrescenta um fator que políticas de preço, sozinhas, não resolvem.

Fonte: Agência Brasil.

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