Senado aprova fim da escala 6×1 e trabalhadores relatam esperança por mais tempo livre

Senado aprova fim da escala 6×1 e trabalhadores relatam esperança por mais tempo livre
Fonte da imagem: Agência Brasil


O Senado Federal aprovou na noite desta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que põe fim à escala 6×1 — jornada em que o trabalhador folga apenas um dia por semana. A votação ocorreu no plenário da Casa e representa uma mudança significativa nas relações de trabalho no país.

A proposta altera a Constituição para garantir ao trabalhador dois dias de descanso semanal, substituindo o modelo atual de seis dias de trabalho por um de folga. A medida ainda depende de outros trâmites para entrar em vigor.

Pesquisa realizada em fevereiro deste ano pela Nexus apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, o que indica amplo respaldo popular à mudança.

Nas ruas, trabalhadores que vivem a rotina de seis dias consecutivos de trabalho relatam as dificuldades impostas pelo modelo. Adrielle Barbosa de Aquino, 27 anos, garçonete em um restaurante no centro do Rio de Janeiro e mãe de duas crianças, afirma que só dispõe do domingo para resolver pendências pessoais. “Nessa escala 6×1, eu só tenho o domingo de folga, né? É o dia que eu tenho para resolver minhas coisas. Um dia para resolver mil coisas e a gente fica perdida. Ainda mais quando a gente é mãe. É pesado!”, diz.

Ela acrescenta que, quando precisa levar os filhos ao médico — consultas que normalmente não ocorrem aos domingos —, acaba faltando ao trabalho e tendo o salário descontado.

Yasmin Nascimento, auxiliar administrativo em uma clínica, também cumpre a escala 6×1. Ao conversar com a reportagem enquanto aguardava sua mototáxi, ela disse esperar que as pessoas possam aproveitar melhor o tempo livre. “É mais um dia de folga com a sua família, mais um dia que a gente pode usar para trabalhar, estudar. Enfim, a folga é da pessoa, ela sabe o que ela vai fazer na folga dela, mas fiquei muito feliz porque essa PEC foi aprovada”, afirmou.

Cristiane Wandermuren, 56 anos, trabalha desde a adolescência com apenas uma folga semanal — antes como auxiliar de serviços gerais e atualmente como ajudante de cozinha. “Se eu tivesse mais um dia, eu iria cuidar da minha saúde, curtir mais os meus netos. Hoje tenho pouco tempo para minha família”, lamenta. Ela também relata a dificuldade de conciliar compromissos médicos com a jornada: “Só temos o domingo. Como eu vou no domingo ao médico? Médico a gente normalmente vai no meio da semana… Aí o patrão já fica de cara feia se você chega mais tarde”.

Simone Cunha de Oliveira, que passou 15 anos na escala 6×1 e hoje trabalha em uma escola com duas folgas semanais, relata a diferença. “A qualidade de vida é bem melhor, você tem dois de descanso, você pode resolver seus problemas. Só um dia para fazer tudo o que você quer ou precisa, não tem condições”, diz. Ela espera que a irmã, vendedora de automóveis que ainda cumpre a escala, também possa folgar duas vezes por semana. “Eu só posso vê-la no domingo. Espero que a mudança na lei melhore principalmente a saúde das pessoas. As pessoas estão ficando doentes de tanto trabalhar. Que elas tenham o descanso que merecem”.

Maria Antônia de Carvalho, 63 anos, precisou se aposentar para ter mais de um dia de descanso semanal. “Eu trabalhei na 6×1 minha vida inteira. Era horrível não ter tempo para nada. Eu não tinha tempo para nada. Não dava mesmo. Quando você pensava que ia descansar, no outro dia você já estava trabalhando de novo. Agora ficou maravilhoso, porque eu tenho mais tempo para mim, para minha família”.

Luciana Machado, 65 anos, também trabalhou seis dias por semana durante quase toda a vida. Já aposentada, passou recentemente a trabalhar na escala 5×2, mas, segundo ela, precisava trabalhar mais horas diárias para compensar a folga no sábado.

Análise WeekNews: A aprovação da PEC 221/2019 no Senado representa uma mudança estrutural na jornada de milhões de trabalhadores brasileiros. Os relatos reunidos indicam que a escala 6×1 impõe dificuldades concretas de conciliação entre trabalho, saúde e vida familiar, especialmente para mulheres que acumulam funções de cuidado. O apoio majoritário da população à medida, registrado em pesquisa, sugere que a discussão sobre redução da jornada tende a permanecer no centro do debate público mesmo após a votação, uma vez que a proposta ainda precisa percorrer etapas até entrar em vigor.

Fonte: Agência Brasil.

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