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O desmatamento na Amazônia caiu para 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, o menor patamar da série histórica do Prodes, sistema oficial de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), iniciada em 1988. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16). A redução foi de 42% em relação ao ciclo anterior e de 71% em quatro anos.
O Cerrado também alcançou o menor nível de supressão de vegetação nativa de sua série histórica, iniciada em 2001: 5.517 km². A queda foi de 24% em um ano e de 48% em quatro anos. No bioma, parte da remoção de vegetação é autorizada pela legislação e, por isso, não está sujeita a embargos e multas.
O Pará continua liderando o ranking de desmatamento na Amazônia, mas registrou queda de 45% na área devastada.
O Ministério do Meio Ambiente atribui o resultado à retomada, em 2023, dos planos de combate ao desmatamento. Desde então, o Ibama realizou mais de 76 mil ações de fiscalização no país. Nos 80 municípios prioritários da Amazônia, a redução chegou a 75% em quatro anos. Segundo a pasta, a diminuição das áreas desflorestadas nos dois biomas entre 2023 e 2026 evitou a emissão de mais de 1,1 bilhão de toneladas de gás carbônico, volume equivalente às emissões anuais do Japão.
Além da fiscalização, o governo federal passou a usar o crédito rural como instrumento de combate à derrubada ilegal. O secretário extraordinário de controle do desmatamento do ministério, André Lima, explicou a estratégia: “Mais de R$ 12 bilhões nos últimos quatro anos do Plano Safra, do crédito rural subsidiado, deixaram de fluir para quem desmata ilegalmente e ficaram disponíveis para quem não desmata ilegalmente. Então, isso é uma reorientação de fluxo financeiro para a produção agropecuária sustentável”.
O avanço também está relacionado à modernização do monitoramento por satélite. O pesquisador do Inpe Cláudio Almeida destacou o uso de novas tecnologias. “A gente tem usado algoritmos com inteligência artificial, computação em nuvem e, mais importante de tudo, é que esses algoritmos e essa nuvem é uma nuvem soberana, é a nuvem do Inpe, é a nuvem do MCTI. A gente não depende de nenhuma organização fora do país para fazer isso”, afirmou.
Também nesta sexta-feira, o Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, anunciou R$ 147,6 milhões para um novo sistema de monitoramento. Com inteligência artificial, a ferramenta vai integrar os sistemas Prodes e Deter, e a taxa oficial, hoje divulgada uma vez por ano, passará a ser produzida mensalmente.
Análise WeekNews: Os números consolidam uma trajetória de queda que combina fiscalização ampliada, uso do crédito rural como filtro e aperfeiçoamento tecnológico do próprio Inpe. A integração entre Prodes e Deter, com divulgação mensal, tende a encurtar o intervalo entre a detecção do desmatamento e a resposta dos órgãos de controle, o que pode tornar a fiscalização mais ágil. O fato de a redução alcançar também o Cerrado, bioma em que parte da supressão é legal, indica que o esforço de monitoramento passa a cobrir realidades distintas de uso da terra.
Fonte: Agência Brasil.
