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Mais de 101 mil famílias foram atingidas pela estiagem em curso no Amazonas, a maioria delas em comunidades ribeirinhas, segundo o boletim da Defesa Civil divulgado no domingo (18). A previsão de chuvas abaixo da média mantém o alerta para os próximos meses, e o fenômeno El Niño, que altera o clima, pode intensificar a seca na Região Norte.
Em entrevista à Rádio Encontro das Águas, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que a situação exige atenção, mas ainda não se compara às secas severas de 2023 e 2024. “Para o Amazonas, a previsão de chuvas abaixo da média e a situação das bacias exigem atenção. No entanto, o painel El Niño ressalta que a Amazônia ainda não apresenta uma condição hidrológica excepcionalmente baixa e generalizada como observada em 2023 e 2024”, declarou.
O painel climático elaborado por instituições federais de pesquisa aponta que o El Niño pode persistir até o início de 2027, com possibilidade de alcançar intensidade muito forte ainda neste ano. A permanência do fenômeno, porém, não implica seca de mesma magnitude em todos os municípios amazonenses. A redução das chuvas não rebaixa imediatamente o nível dos rios, que também depende da precipitação nas cabeceiras e do comportamento dos principais afluentes. Por isso, segundo a ministra, o monitoramento precisa ser contínuo para identificar as áreas mais vulneráveis e antecipar riscos.
“É possível reconhecer situações de maior risco com antecedência, mas não estabelecer uma data única para prever uma estiagem severa em todo o estado. Quanto mais próximo o período de interesse, maior tende a ser a quantidade de informações disponíveis para orientar decisões”, disse Luciana Santos.
Para ampliar o acompanhamento das condições climáticas, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) instalou cerca de 30 novos pluviómetros no Amazonas, que se somam aos 73 já existentes. Os equipamentos medem o volume de água e auxiliam na identificação de situações de risco, com dados usados no planejamento do abastecimento de água, do transporte fluvial e da assistência às comunidades isoladas. No médio Solimões, o Instituto Mamirauá também desenvolve pesquisas sobre as condições ambientais do Lago Tefé e sobre sistemas de abastecimento de água movidos a energia solar.
A ministra destacou que o desafio é converter os dados científicos em informações que permitam aos órgãos públicos agir antes do agravamento da situação. “O MCTI contribui com a produção de conhecimento, o monitoramento e as informações técnicas. Enquanto as medidas de proteção e resposta são coordenadas pelos órgãos competentes da Defesa Civil nacional e local”, afirmou.
Além da estiagem, o Amazonas registra avanço das queimadas. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) reunidos pela Defesa Civil, o estado acumulava 8.165 focos de calor até o domingo (18).
Análise WeekNews: A expansão da rede de pluviómetros e a produção de dados por instituições como o Cemaden e o Instituto Mamirauá indicam que o monitoramento no Amazonas tende a ganhar mais capilaridade, o que pode melhorar a antecedência com que municípios e órgãos de assistência se preparam. Ainda assim, o próprio material reforça que a estiagem não atinge todas as regiões de forma homogênea, o que limita previsões generalizadas para todo o estado.
Fonte: Agência Brasil.
