Milei abre plano de demissão voluntária que pode atingir 21 mil servidores na Argentina

Milei abre plano de demissão voluntária que pode atingir 21 mil servidores na Argentina
Fonte da imagem: Agência Brasil


O governo de Javier Milei publicou nesta segunda-feira (19) o Decreto 1.203 de 2026, que institui um plano de demissão voluntária no serviço público federal argentino com potencial de alcançar até 21 mil servidores. A medida integra a agenda de corte de gastos do presidente, que assumiu a Casa Rosada em 2023 tendo a motosserra como símbolo da redução do Estado.

O texto prevê a adesão de três grupos distintos de funcionários federais e exclui militares, além de servidores da segurança e da inteligência. As vagas dos que optarem pelo desligamento serão suprimidas de forma permanente, segundo o decreto. Desde janeiro de 2023, o governo Milei fechou 77 mil postos no serviço estatal argentino.

A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) contesta a natureza voluntária do programa e acusa o governo de intimidar funcionários para que adiram à proposta. O governo sustenta que a decisão cabe a cada servidor.

O secretário-geral da ATE Nacional afirmou que, se há pressão sobre os trabalhadores, o consentimento não é livre. Segundo o líder sindical, relatos de funcionários descrevem situações como a de quem é levado a assinar papéis de aposentadoria sob a ameaça de ser colocado em licença e, depois, demitido. A entidade também alerta que milhões de argentinos podem ficar sem serviços públicos essenciais e diz que vai recomendar a não adesão ao plano, citando a experiência de demissões voluntárias da década de 1990, que, conforme a ATE, teria deixado milhares de servidores sem emprego e sem aposentadoria.

“Não podemos permitir que desmantelam o Estado e o deixem sem seu bem mais precioso: um valioso recurso humano com experiência e histórico comprovado”, declarou o secretário-geral da ATE Nacional.

O cenário econômico acompanha a redução do aparato estatal. Dados oficiais do Indec mostram que a taxa de desemprego na Argentina chegou a 7,9% da população economicamente ativa no primeiro semestre de 2026, alta de 0,3 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. Levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa) aponta o fechamento de 31,3 mil empresas sob o governo Milei, o equivalente a 6,1% do total de companhias registradas no país, e o encerramento de 245 mil postos formais de emprego em 31 meses, queda de 3,9% do total.

Análise WeekNews: o plano de demissão voluntária se soma a um encolhimento já mensurável do emprego estatal e formal na Argentina. Os números do Indec e do Cepa indicam que a redução de despesas defendida pelo governo vem acompanhada de pressão sobre o mercado de trabalho, enquanto a disputa entre governo e ATE sobre o caráter voluntário das adesões tende a concentrar o debate público sobre os limites e os efeitos da reforma do Estado.

Fonte: Agência Brasil.

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