
World Soccer Talk.
A possível volta de Cristiano Ronaldo à seleção portuguesa precisa ser conduzida com cuidado para não reabrir a crise entre o jogador e a comissão técnica. O alerta é de Humberto Coelho, ex-técnico de Portugal, em entrevista à Rádio Renascença, no programa Bola Branca. Para ele, o retorno do atacante de 41 anos só faz sentido se houver preparação e responsabilidade compartilhada entre o próprio atleta, o treinador Jorge Jesus e o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
“Gostaria que ele voltasse. As condições certas têm de estar reunidas, e isso depende do treinador, do presidente e do Cristiano”, afirmou Coelho. Segundo ele, as três partes precisam construir um entendimento genuíno e assumir suas responsabilidades na resolução da disputa. “Se o retorno não for bem planejado e preparado, com um forte senso de responsabilidade de todos os envolvidos, não faz sentido. Caso contrário, problemas sérios podem ressurgir”, advertiu.
A controvérsia começou na janela internacional de setembro, quando Ronaldo ficou no banco na vitória de 2 a 1 sobre a Noruega. O jogador alegou depois que Jesus havia lhe dado garantias sobre sua participação antes de optar por não utilizá-lo. Em 30 de setembro, Ronaldo deixou o acampamento da seleção às vésperas do jogo contra a Dinamarca, pela Liga das Nações, e acusou publicamente o treinador de “quebra absoluta de confiança”. Jesus negou que houvesse o acordo descrito pelo atacante.
O Conselho Disciplinar da FPF considerou Ronaldo culpado por infração ao Artigo 160(1) de seu regulamento disciplinar. Em 19 de outubro, a federação anunciou uma suspensão de 30 dias e multa de 255 euros (cerca de 286 dólares), levando em conta circunstâncias atenuantes, como as contribuições do jogador ao futebol e seu histórico disciplinar recente. A punição, retroativa, praticamente já foi cumprida e abriria caminho para um retorno nas partidas de novembro da Liga das Nações.
Coelho apoiou a decisão de suspender Ronaldo, mas criticou a multa. “A suspensão de Ronaldo foi importante, mas a multa é um pouco deslocada e não ajuda em nada”, disse. O ex-treinador também afirmou que o episódio não deveria ter chegado ao ponto de exigir ação disciplinar. “O que sei é que, se eu fosse o treinador, isso não teria acontecido. E se eu fosse jogador, também não acho que teria acontecido”, declarou.
Como ex-capitão da seleção, Coelho avalia que o caso revela uma falha de responsabilidade em vários lados e demonstrou preocupação com os danos que a situação pode causar tanto a Ronaldo quanto à FPF.
Análise WeekNews: A suspensão retroativa encerra formalmente o processo disciplinar, mas não resolve a ruptura entre jogador e treinador. O aviso de Coelho indica que a reintegração de Ronaldo depende menos do calendário de novembro e mais da reconstrução de confiança entre as partes. Sem esse acerto, o retorno tende a ser um paliativo, e não uma solução.
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Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-10-21 15:56:00
