
A vereadora Iara Pimentel (PT) foi atingida no rosto por um objeto durante um ato político na noite de sábado (24) em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Ela precisou deixar o local em uma ambulância do Samu. De acordo com o relato da parlamentar, o carro de som em que estava foi alvo de garrafas, tijolos e outros objetos.
A vereadora classificou a agressão como incompatível com a democracia, defendeu a liberdade de manifestação política e cobrou investigação rigorosa, apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos. Segundo ela, a violência política não pode ser naturalizada e nenhuma divergência justifica agressões.
“Pensar diferente é um direito. A violência política é uma ameaça à democracia. Nenhuma divergência pode justificar agressões ou colocar vidas em risco”, afirmou Iara Pimentel.
O episódio foi citado pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que chamou a agressão de inadmissível. Segundo a parlamentar, “a democracia não combina com pedras, ameaças e agressões”. Ana Elisa manifestou solidariedade à vereadora e às demais pessoas feridas e defendeu a responsabilização dos autores.
A deputada eleita já havia denunciado ser alvo de violência política. Ela relatou ter desativado sua conta no X após sucessivas ameaças de morte e estupro, com mensagens de conteúdo racista, misógino e de violência sexual recebidas, segundo ela, “a cada dois minutos”. Ana Elisa declarou estar “totalmente vulnerável” e informou ter levado o caso à Polícia Civil de Minas Gerais. Diante das ameaças, foi incluída no Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais.
Após votar em São Bernardo do Campo (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou os episódios de violência registrados durante a campanha e defendeu a convivência democrática entre pessoas com opiniões políticas, religiosas e visões de mundo diferentes. Ele citou especificamente o caso da vereadora mineira.
“A coisa mais sagrada na democracia é a convivência democrática na diversidade”, disse o presidente, acrescentando que divergências políticas não podem resultar em agressões. “Os vizinhos não precisam torcer para o mesmo time, mas não precisam brigar. Os vizinhos não precisam ter o mesmo candidato, mas também não precisam brigar. Não precisam gostar da mesma religião, mas também não precisam brigar. Se cada um aprender a respeitar o direito dos outros, a fé dos outros, o time dos outros e o partido dos outros, a gente exerce a democracia na sua plenitude”, afirmou.
Também foram registrados relatos de ameaças contra servidores da Justiça Eleitoral. A Federação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) divulgou nota de repúdio às intimidações feitas desde o primeiro turno e tem cobrado a responsabilização dos envolvidos.
Na véspera do segundo turno, a União Brasileira de Mulheres do Distrito Federal (UBM-DF) denunciou agressão contra sua presidenta, Maria das Neves Filha, e contra a presidenta da Mocidade do Gama, Edilamar Melo. O caso ocorreu durante uma atividade de panfletagem em frente ao CEMI-Gama e foi registrado em vídeo. Segundo a entidade, o homem identificado é policial militar aposentado e teria arremessado uma mesa e derrubado materiais da atividade. A UBM-DF informou ter registrado boletim de ocorrência, anunciado medidas judiciais e divulgado o vídeo do episódio. Na nota, a entidade afirma que “não podemos naturalizar a barbárie e a violência contra mulheres” e caracteriza o caso como violência política de gênero.
Fonte: Agência Brasil.
