
Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, foi reeleito neste domingo (25) presidente da República pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em decisão que lhe garante o quarto mandato. Com mais de 98,2% das urnas apuradas, o candidato registrava 51,75% dos votos válidos, o equivalente a 64.060.863 votos, contra Flávio Bolsonaro (PL).
A campanha ganhou novo impulso no segundo turno, impulsionada por uma reação nas redes sociais e por manifestações de rua. Nas plataformas digitais, Lula passou a gravar vídeos em formato selfie, com tom mais informal e fala direta ao eleitor. A entrada do deputado André Janones (Rede-MG) na equipe foi apontada como o principal ponto de virada nesse campo: ele criou o grupo “Exército de Lula” no WhatsApp, que reuniu mais de 10 milhões de pessoas e ajudou a ampliar o engajamento da esquerda e a difusão da campanha.
Paralelamente, movimentos sociais e estudantes organizaram mobilizações em dezenas de cidades do país. As imagens das ruas tomadas de vermelho, segundo a leitura feita pela campanha, deram o tom de uma recuperação até então inédita em segundo turno.
O programa de governo apresentado por Lula prevê a continuidade e o aprofundamento de políticas dos últimos quatro anos, com mais investimentos e alcance. Entre as promessas estão o aumento do salário mínimo sempre acima da inflação, investimentos em defesa nacional e a criação de um ministério para a Segurança Pública, com o objetivo de garantir participação da União em políticas hoje geridas apenas pelos estados.
Na saúde, o plano fala em criar “a maior rede pública de cuidado ao câncer do mundo”, com investimentos em diagnóstico e tratamento, técnicas e equipamentos modernos e atualização de medicamentos quimioterápicos e imunoterápicos. Na educação, a proposta é criar novas versões do Pé-de-Meia, como o Pé-de-Meia universitário. O programa foi criado em 2024, em versão escolar, como incentivo financeiro-educacional pago pelo governo federal para promover a permanência e a conclusão de estudantes matriculados no ensino médio público.
Na política externa, após enfrentar o “tarifaço” imposto pelo governo de Donald Trump, Lula reafirmou o compromisso de manter relações equânimes, diplomáticas e comerciais com todos os países, fortalecendo a economia nacional com base na industrialização e na busca de novos mercados para exportação.
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns (PE), Lula trabalhou como metalúrgico e ganhou projeção nacional ao presidir o sindicato da categoria no ABC paulista durante a redemocratização. Formou-se torneiro mecânico pelo Senai e fundou o PT em 1980, após liderar greves na década de 1970 e defender a democracia durante a ditadura militar. Foi eleito deputado federal em 1986 e venceu a eleição presidencial em 2002. Governou o país entre 2003 e 2010 e voltou ao cargo em 2023, após ser absolvido de condenação no processo envolvendo a Lava Jato e de ter cumprido 580 dias de prisão. Com a vitória de 2022, tornou-se o primeiro presidente eleito três vezes; agora chega ao quarto mandato, que, segundo ele próprio, será o último.
Análise WeekNews: A virada registrada no segundo turno combina dois elementos verificáveis na campanha: a ampliação do alcance digital, com o grupo de WhatsApp que reuniu mais de 10 milhões de pessoas, e a mobilização de rua em dezenas de cidades. O resultado confirma a leitura de que o segundo turno produziu uma recuperação eleitoral, mas o quarto mandato também carrega a marca de uma trajetória política que o próprio presidente descreve como a última.
Fonte: Agência Brasil.
