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Um juiz do condado de Sullivan, em Nova York, ouviu nesta quinta-feira os argumentos orais de um pedido para afastar a procuradora-geral do estado, Letitia James, da função de procuradora especial na investigação criminal reaberta sobre um suposto estupro coletivo na Universidade Cornell. A audiência terminou sem decisão imediata do juiz James Farrell, que deve publicar um despacho formal nos próximos dias definindo se James permanece no caso ou se a investigação precisa ser redistribuída.
A contestação foi apresentada pelo advogado de defesa Andrew Miltenberg, que representa Gillio Lopes, um dos acusados. Lopes é um dos sete ex-integrantes da fraternidade Chi Phi acusados em uma ação judicial de drogar e estuprar uma estudante da universidade na casa da fraternidade, em outubro de 2024.
A defesa sustenta que comentários publicados por James nas redes sociais antes de sua nomeação oficial como procuradora especial evidenciam predisposição e presunção de culpa, o que comprometeria a neutralidade da apuração. Em uma dessas publicações, James afirmou que o que a jovem foi forçada a suportar era “horrível e inaceitável” e que a mantinha “no coração e nas orações”, acrescentando uma mensagem de apoio a ela e a todas as sobreviventes.
Diante da corte, Miltenberg classificou essas manifestações públicas como um “pecado original” do caso e argumentou que cabe ao juiz determinar se as declarações tiram ou não a procuradora-geral da condição de parte neutra na revisão do processo.
Representando o estado, a procuradora-geral assistente Kaitlin Vigars defendeu a nomeação feita pela governadora Kathy Hochul e rebateu o pedido de afastamento, afirmando que declarações públicas, por si só, não atingem o patamar legal exigido para a remoção. Segundo ela, seria necessário demonstrar prejuízo efetivo, e não alegações especulativas de parcialidade. Em nota enviada à imprensa na quinta-feira, um porta-voz do gabinete de James afirmou que as alegações “não têm mérito” e que o órgão segue comprometido com uma investigação guiada apenas pelos fatos, pelas provas e pela lei.
Durante a audiência, Farrell questionou Vigars sobre as circunstâncias que antecederam a escolha de James, incluindo se Hochul tinha conhecimento do comentário feito nas redes sociais, se a governadora e a procuradora-geral estavam lado a lado quando Hochul se referiu à “jovem corajosa” e se isso configura violação de conduta profissional. O magistrado também levantou preocupações processuais mais amplas, alertando para o risco de decisões judiciais conflitantes caso as contestações avancem de forma fragmentada em diferentes jurisdições. “Se vários juízes tomarem decisões, isso é o caos”, disse Farrell, para quem a corte não deve produzir caos.
Hochul nomeou James como procuradora especial em 1º de outubro, após intervir para contornar a promotoria local do condado de Tompkins, que havia se recusado anteriormente a apresentar denúncias. Também na quinta-feira, a governadora informou que todas as denúncias de crimes sexuais na Universidade Cornell passam a ser encaminhadas à Polícia Estadual de Nova York, e não à polícia da própria universidade, salvo pedido em contrário da pessoa que faz o relato. Em nota, ela afirmou que todo estudante merece se sentir seguro no campus e que quem denuncia uma agressão sexual deve ser ouvido, tratado com compaixão e ter a certeza de que as alegações serão investigadas com seriedade por agentes capacitados a apoiar sobreviventes. Hochul disse ainda que o relato da estudante identificada como Jane Doe é “horrível” e que as instituições responsáveis por proteger os alunos não podem decepcioná-los.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/us/judge-grills-ag-office-cornell-sex-assault-case-ex-frat-bro-lawyer-demands-ouster-alleged-bias.
Fonte: Fox News.
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2026-10-29 15:22:00


