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A Praça Marechal Âncora, no centro do Rio de Janeiro, recebe a partir desta sexta-feira a primeira edição do Festival Favela Cria, evento gratuito que reúne música, batalhas de rima, literatura, artes visuais e gastronomia produzidos nas periferias. A programação segue até segunda-feira, com expectativa de público de cerca de 60 mil pessoas, segundo os organizadores.
O projeto foi concebido há quatro anos, durante a pandemia, a partir de conversas entre os idealizadores e um coletivo de lideranças da cultura periférica. Um dos criadores do festival, o ativista e empreendedor social Raull Santiago, afirma que a preocupação central era evitar que o evento se resumisse a mais um festival. “A gente queria construir algo que deixasse um legado, que gerasse oportunidade e que continuasse produzindo o impacto mesmo depois que o evento terminasse”, relata.
Segundo Santiago, o objetivo é dar visibilidade à produção cultural, criativa e empreendedora das favelas e aproximá-la do mercado. “A gente quer que os artistas, produtores, empreendedores, profissionais que já fazem muita coisa acontecer nas periferias tenham mais visibilidade, mais oportunidade, mais acesso a redes, contratantes, plataformas, investidores”, diz. Ele acrescenta que o festival também busca alterar a imagem associada às favelas, mostrando que esses territórios produzem conhecimento, moda, música e gastronomia.
A organização afirma que a maior parte da equipe de trabalho do evento é formada por profissionais das próprias favelas, incluindo produtores, técnicos, comunicadores e designers. “Pra gente não faria sentido nenhum criar um festival para falar das potências da favela e, na hora de construir o evento, a gente não colocar essa potência junto trabalhando, construindo, realizando”, afirma Santiago.
O idealizador do Favela Cria diz que a pretensão é que o evento tenha continuidade e se consolide como uma plataforma permanente de valorização da cultura periférica. “A gente acredita que o maior legado do Favela Cria precisa acontecer para além dos quatro dias de festival. A gente quer fortalecer carreiras, criar conexões, gerar oportunidades de trabalho e de negócios”, aponta.
A realização é do Instituto Papo Reto, do Voz das Comunidades e do Instituto Pró-Bono Brasil.
Análise WeekNews: A primeira edição do Favela Cria reúne, em um mesmo espaço no centro do Rio, atrações culturais e iniciativas de empreendedorismo originadas nas favelas. A escolha de uma praça central e a gratuidade ampliam o alcance do evento para além dos territórios periféricos, enquanto a presença majoritária de profissionais das próprias comunidades na produção reforça a proposta declarada pelos organizadores de gerar oportunidades dentro do próprio evento. A expectativa de 60 mil participantes e a intenção de realizar novas edições indicam que a iniciativa será avaliada também pela capacidade de manter essa articulação após o encerramento da programação.
Fonte: Agência Brasil.
