
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou nesta quarta-feira (4) que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026 será aplicado com segurança nos dois próximos domingos, 8 e 15 de novembro, a mais de 5,05 milhões de inscritos confirmados. A declaração foi dada no programa “Bom Dia, Ministro”, do Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A fala do ministro faz referência ao episódio de 2025, quando circularam nas redes sociais itens semelhantes a questões da edição anterior do exame. Na ocasião, o MEC e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmaram que não houve vazamento oficial da prova pelo influenciador investigado. A Polícia Federal foi acionada para apurar a conduta dos envolvidos.
Para este ano, segundo Barchini, o Inep reformulou o protocolo de pré-testagem das questões. “Como é uma prova com Teoria de Resposta ao Item [TRI], a gente tem que pré-testar a questão para saber seu grau de dificuldade. O Inep fez esses pré-testes de outra maneira, alterou completamente esse protocolo”, disse. O ministro acrescentou que existe um protocolo de confidencialidade e que nem ele sabe como os testes são feitos.
Barchini também afirmou que a coincidência entre abordagens é comum em exames de larga escala em todo o mundo, dada a limitação de formatos para cobrar determinados temas. Segundo ele, a análise dos resultados da edição anterior indicou que a circulação de itens parecidos não gerou discrepâncias ou notas fora da curva que comprometessem o certame.
Sobre a redação, o ministro garantiu que a estrutura e os critérios permanecem os mesmos do modelo tradicional. Mudanças no exame estão em estudo, mas só devem ser aplicadas a partir de 2028. “Os estudantes devem ficar tranquilos que esse ano a prova vai ser muito semelhante à prova do ano anterior, com a mesma estrutura da prova”, afirmou.
A partir de 2026, o Enem passa a integrar oficialmente o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), com a função de medir a qualidade do ensino médio no país. Na avaliação do ministro, a inclusão dessa atribuição deve produzir um diagnóstico mais completo e fidedigno das redes de ensino do que a Prova Brasil, aplicada até o ano passado no terceiro ano do ensino médio da rede pública. “Com o Enem, vamos estar em ambiente controlado. [O participante] tem o estímulo para fazer a prova, porque o Enem serve também para ingresso na universidade”, disse.
Além de português e matemática, avaliados na Prova Brasil, o MEC pretende analisar o desempenho nas demais disciplinas, como história, geografia, filosofia, sociologia, química, física e biologia. Neste ano, o Enem funcionará como teste experimental de avaliação global da educação básica, antes de se tornar obrigatório em 2027. A meta de participação dos concluintes da rede pública subiu de 55% para 70% em 2026, com o objetivo de chegar a 80% no ano seguinte.
O ministro informou que o MEC articula com secretarias municipais de educação e prefeituras a oferta de transporte público adequado nos domingos de prova. A estimativa é que cerca de 80% dos concluintes da rede pública façam o exame na mesma escola em que estudam ou perto de casa. Ele recomendou que os participantes acessem a Página do Participante, no site do Inep, para conferir o local de prova e, quando necessário, testar o trajeto e as linhas de ônibus disponíveis com antecedência.
Nos dois dias de aplicação, os portões abrem às 12h e fecham às 13h, no horário oficial de Brasília, com início das provas às 13h30. No dia 8, os participantes terão cinco horas e 30 minutos para responder a 90 questões objetivas — 45 de linguagens, códigos e suas tecnologias e 45 de ciências humanas e suas tecnologias —, além da redação. No dia 15, serão aplicadas as provas de matemática e de ciências da natureza, com duração de cinco horas. O Enem segue como principal via de acesso ao ensino superior, por meio do Sisu, do Prouni e do Fies.
Análise WeekNews: A mudança mais concreta anunciada para esta edição não está no formato da prova, mas no uso dos resultados. Ao incorporar o Enem ao Saeb, o MEC amplia a base de avaliação do ensino médio para além de português e matemática e passa a medir o desempenho em todas as disciplinas. A meta de 70% de participação dos concluintes da rede pública, com perspectiva de 80% em 2027, indica que o alcance dessa avaliação depende diretamente da adesão dos estudantes, o que ajuda a explicar o esforço logístico com transporte e locais de prova próximos das escolas.
Fonte: Agência Brasil.
