
NME.
O Open’er Festival 2026, realizado no Aeroporto de Gdynia-Kosakowo, na Polônia, consolidou a força do pop como gênero capaz de dominar grandes festivais. Se antes o evento era território de bandas de rock e DJs superstar — com Calvin Harris, Nick Cave and the Bad Seeds, Florence & the Machine e The xx nos dias anteriores —, o último dia, 4 de julho, foi um verdadeiro takeover pop, com JENNIE e Addison Rae no Palco Principal, PinkPantheress e Jade lotando a enorme Tenda, e Peggy Gou e Horsegiirl encerrando com a afterparty perfeita.
JENNIE, integrante do BLACKPINK, mostrou por que é considerada o futuro do pop. Com apenas um álbum solo lançado, o ousado e autoconfiante ‘Ruby’, e poucos shows próprios no currículo, a artista entregou uma masterclass de pop progressivo. Do vídeo de introdução apocalíptico ao hino de amor-próprio ‘Filter’ e ao rap explosivo de ‘Like JENNIE’, seu show foi uma declaração de independência.
Ela ainda arriscou ao apresentar três faixas inéditas — ‘Lock It Down’, ‘Heaven’ e ‘Less Than A Lover’ —, em vez de apostar em hits conhecidos do BLACKPINK. O público, que encheu a grade com cartazes feitos à mão e acendeu lightsticks rosa, correspondeu com entusiasmo. “Não vejo a hora de compartilhar essa música nova com vocês em breve”, provocou JENNIE, já preparando o terreno para sua próxima era.
O set passeou por riffs de rock ‘n’ roll, batidas dançantes e baladas ternas, com direito a um remix de ‘Dracula’, do Tame Impala, que arrancou sorrisos. “Preciso vir à Polônia mais vezes”, disse ela, enquanto a multidão gritava seu nome antes do encerramento apoteótico.
Addison Rae, que saiu do TikTok para o estrelato pop em velocidade impressionante, apresentou o show final de sua turnê ‘The Fame And Glory Tour’ no festival. Em menos de dois anos desde o single de estreia ‘Diet Pepsi’ (verão de 2024), ela já tocou no Wembley Stadium com Lana Del Rey, colaborou com Charli XCX no álbum de remixes ‘Brat’ e teve seu show no Coachella interrompido por Olivia Rodrigo.
No Open’er, Rae entregou uma hora de maximalismo pop desavergonhado, com danças de alta energia, quedas de confiança, pirotecnia, trocas de figurino e um palco que se transformava de clube underground a circo de cabaré e parquinho.
Uma chuva de confetes vermelhos foi liberada durante a segunda execução de seu single de estreia, enquanto ela e os dançarinos pediam ao público que continuasse a se divertir enquanto tiravam fotos. “Nunca quero esquecer este dia”, disse. O show fez referências a ícones como Britney Spears (em ‘I Got It Bad’), Lady Gaga (em ‘Fame Is A Gun’) e Lana Del Rey (em ‘Diet Pepsi’), mas com uma identidade própria.
“Minha vida mudou muito desde que comecei esta turnê”, emocionou-se Rae.
Jade, ex-Little Mix, apresentou ao público polonês o poder positivo do grupo. Com a carreira solo a todo vapor — seu álbum de estreia ‘That’s Showbiz Baby!’ tem menos de um ano —, ela foi recebida com gritos ensurdecedores na Tenda. “Sou um membro honorário da Polônia agora?”, brincou, arrancando aplausos.
Em uma hora de show, Jade mostrou várias facetas: a rebelde, com músicas como ‘FUFN (Fuck U For Now)’ e ‘Wasabi’; a vulnerável, ao falar sobre os “percalços” de ser mulher na indústria musical em ‘Before You Break My Heart’ e ‘Angel Of My Dreams’; a sexual, em ‘Fantasy’; e a vendedora, com um medley de faixas extras da versão deluxe do álbum.
O ponto alto foi um tributo de cinco minutos às ex-colegas de Little Mix, com trechos de ‘Touch’, ‘Shout Out To My Ex’ e ‘Salute’. Jade ainda projetou uma bandeira LGBTQ+ em seu telão durante ‘Church’, declarando que “todos são bem-vindos na igreja de Jade”.
PinkPantheress, por sua vez, transformou a Tenda em uma festa dance hardcore. Com um vestido vermelho curto e microfone com autotune suave, ela mesclou vocais aveludados e raps açucarados com batidas de drum ‘n’ bass e pop ambiente, criando uma versão moderna de Sade.
O show foi cheio de surpresas: em ‘Just For Me’, ela distribuiu rosas na grade; em ‘Pain’, um piano soul clássico deu lugar a um ritmo acelerado; e em ‘Illegal’, a música terminou em uma festa Smurf acelerada. O momento mais inusitado foi em ‘The Aisle’, quando dois dançarinos a pediram em casamento simultaneamente — ela aceitou ambos, apenas para se ver como o terceiro elemento.
PinkPantheress equilibrou vulnerabilidade (em ‘Reason’, sobre angústia existencial) e atitude (em ‘Boy’s A Liar Pt. 2’), mostrando que sua “panther” tem garras afiadas.
Fonte: NME.
NME.
2026-07-05 06:48:00

