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As milhas aéreas, que por anos foram uma arma secreta dos viajantes, perderam parte de sua previsibilidade. Antes, bastava acumular pontos, consultar a tabela de resgate e garantir o assento desejado. Hoje, uma busca por passagens pode exibir valores tão absurdos que fazem o usuário querer fechar o laptop. O motivo é a adoção do chamado preço dinâmico pelas companhias aéreas, que atrela o custo em pontos ao valor da tarifa em dinheiro, eliminando as antigas tabelas fixas.
Quem explica o novo cenário é David Fleming, consultor de recompensas de viagem conhecido como The Miles Guy. Em entrevista ao programa “CyberGuy Report”, Fleming afirmou que as milhas ainda podem ser valiosas, mas as estratégias antigas já não funcionam como antes. “As companhias aéreas e seus programas de fidelidade adotaram o preço dinâmico, que basicamente amarra o custo do bilhete ao número de pontos que você usa”, disse.
O exemplo mais impressionante citado por Fleming envolve a classe executiva da Air France no programa Flying Blue, na rota de Los Angeles para Paris. Antes, o resgate de um trecho saía por cerca de 67.500 pontos. Em alguns dias, porém, o mesmo voo pode chegar a 700.000 pontos. “O que é uma loucura”, classificou o consultor.
Diante desse cenário, a flexibilidade se tornou o principal trunfo do viajante. Fleming recomenda que o planejamento da viagem seja feito a partir da disponibilidade de voos com bom custo em milhas. “O segredo é reservar sua viagem em torno dos voos. Encontre as datas que têm os melhores resgates de milhas disponíveis e reserve esses voos, deixando que eles sejam seu guia”, orienta.
A estratégia, no entanto, funciona melhor para quem viaja sozinho ou com apenas um acompanhante. Com filhos, horários escolares, compromissos de trabalho e obrigações familiares, a margem de manobra diminui. Ainda assim, mesmo um pequeno ajuste de um ou dois dias, ou a escolha de um aeroporto alternativo, pode economizar uma quantidade enorme de pontos.
Outra tática útil é reservar uma passagem reembolsável em dinheiro como seguro, enquanto se monitora a abertura de assentos com milhas. Fleming afirma que a estratégia ainda tem valor, embora funcionasse melhor antes da popularização do preço dinâmico. “Se você reserva uma passagem reembolsável, sabe que, se algo surgir, pode cancelar essa passagem, receber seu dinheiro de volta e reservar a passagem com milhas”, explica.
Uma variação da mesma ideia: se um bom bilhete em milhas não aparecer, o viajante pode buscar uma tarifa mais barata e não reembolsável perto da data da viagem, cancelar a passagem reembolsável e comprar a mais em conta. Dá trabalho, mas amplia as opções.
As atualizações pagas de classe (upgrades) também podem ser uma saída, embora sejam incertas. Fleming sugere perguntar no balcão ou no portão de embarque. “Talvez você tenha que ser um pouco proativo e perguntar ao agente do portão ou à pessoa no balcão: ‘Você tem upgrades disponíveis? E, se sim, quanto custam?'”, recomenda.
Ele conta a história de um amigo que voava na classe econômica em um voo transatlântico. No balcão, a companhia ofereceu um upgrade para a executiva por US$ 140. Se tivesse comprado o mesmo upgrade online antes, teria custado mais de US$ 1.200. Não acontece sempre, mas a pergunta não custa nada.
Saber quando as milhas são um mau negócio é talvez a parte mais difícil. Fleming usa como referência o valor de cerca de 2 centavos de dólar por ponto. Assim, 100.000 pontos que cubram uma passagem de US$ 2.000 podem ser um bom negócio. “Em média, você pode dizer que um ponto vale US$ 0,02. Eu defino a meta em US$ 0,02 por ponto”, afirma.
Por outro lado, se a companhia pedir 100.000 pontos por uma passagem de US$ 500, o melhor é pagar em dinheiro e guardar os pontos para uma oportunidade melhor. É aí que muitos se queimam: veem “passagem grátis” e esquecem que os pontos têm valor real, conquistado com gastos, voos ou bônus de cartão de crédito. Queimá-los em um resgate fraco pode custar caro no futuro.
Antes de resgatar milhas ou pontos de hotéis, Fleming recomenda comparar o preço em pontos com a tarifa em dinheiro. Ferramentas como o Awayz podem ajudar a visualizar a disponibilidade de prêmios e identificar melhores datas, mas o consultor alerta que qualquer ferramenta de busca deve ser tratada como ponto de partida. Preços e disponibilidade mudam rápido, e é essencial confirmar o valor final, taxas, regras de cancelamento e disponibilidade diretamente com a companhia aérea, hotel ou programa de fidelidade.
Manter o controle de todas as contas de fidelidade é fundamental. Fleming criou uma planilha com programa, número da conta, senha, data de expiração dos pontos e saldo. “Assim você sabe o que tem para trabalhar”, diz. Uma dica prática é criar um contato no celular chamado “Perfil de Viagem” e armazenar nele os números de fidelidade de companhias aéreas, hotéis e locadoras de veículos em ordem alfabética. Senhas, porém, não devem ser guardadas nesse contato, mas em um gerenciador de senhas seguro.
As datas de expiração dos pontos merecem atenção. Fleming lembra que milhas da United MileagePlus e da Delta SkyMiles não expiram, mas outros programas ainda têm regras de validade. O Flying Blue, por exemplo, adota um período único de 24 meses, que pode ser estendido com atividade qualificante. Pequenos saldos também não devem ser ignorados: alguns milhares de pontos podem não comprar uma passagem de longa distância, mas podem ajudar em uma noite de hotel, upgrade ou voo curto.
Sobre o status de elite nas companhias aéreas, Fleming é direto: “A menos que você tenha o status de nível mais alto, acho que não.” Ele reconhece que, no passado, o status de topo podia fazer diferença, especialmente em atrasos e cancelamentos. Hoje, os aviões estão lotados, os upgrades são mais difíceis de conseguir e as companhias frequentemente vendem assentos premium em vez de distribuí-los a viajantes fiéis. O status ainda pode ajudar com bagagens gratuitas, assentos preferenciais e suporte prioritário, mas não vale a pena persegui-lo cegamente.
Aplicativos de tecnologia podem ajudar a se antecipar a atrasos. O Flighty, por exemplo, rastreia a aeronave antes mesmo de ela se tornar o voo do passageiro, dando um alerta precoce quando um problema começa a se formar. Se um dos voos anteriores da mesma aeronave atrasar, o app costuma mostrar o efeito cascata antes do aviso oficial da companhia.
Por fim, Fleming alerta que milhas e pontos têm valor real e, por isso, atraem hackers. Um invasor que invade uma conta de fidelidade pode drenar as milhas, reservar viagens ou vender o acesso antes que o titular perceba. Para se proteger, o consultor recomenda usar senhas fortes e únicas para cada conta, armazená-las em um gerenciador de senhas seguro, ativar a autenticação de dois fatores (2FA) sempre que disponível e revisar os saldos com frequência. Manter um bom software antivírus nos dispositivos também ajuda a bloquear links maliciosos e páginas de phishing que podem levar ao roubo de contas.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/tech/airline-miles-still-worth-it.
Fonte: Fox News.
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2026-07-08 07:34:00


