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O fenômeno El Niño apresenta altas probabilidades de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, período que abrange a primavera e o início do verão no Brasil. A informação consta na atualização do monitoramento divulgada nesta quinta-feira (9) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
O El Niño é definido pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico ao longo da linha do Equador, com temperatura pelo menos 0,5 °C acima da média histórica por alguns meses consecutivos. Além do aumento da temperatura da água, ocorrem alterações na circulação atmosférica: os ventos alísios, que sopram de leste para oeste, perdem intensidade.
A meteorologista Marilene de Lima, do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri/Ciram), explica que o aquecimento precisa se manter ao longo dos próximos meses para que seja possível avaliar a real dimensão do El Niño e seus potenciais impactos no país. “Então, a gente tem pelo menos uns sete meses para poder dizer que se trata, de fato, de um El Niño. E se reflete ou causa mais umidade, mais chuva no Sul do Brasil. De uma forma geral, as chuvas ficam acima da média, entre 20, 30, ou mais, e acima do que seria esperado para essa época do ano, na primavera”, detalha.
No ciclo anterior, de 2023 a 2024, o El Niño provocou fortes chuvas na região Sul e seca intensa na região Norte. Para este ano, a previsão indica precipitações acima da média no Sul ainda durante o inverno e na primavera, quando o fenômeno deve atingir o pico de intensidade.
A especialista ressalta, no entanto, que o El Niño, isoladamente, não é sinônimo de chuvas torrenciais. “O El Niño pode estar ali, mas vai da combinação com frentes frias, ventos em altos e médios níveis da atmosfera transportando umidade até a região. Então, a combinação desses outros sistemas é que acaba provocando dias consecutivos de chuva mais intensa. Por isso essa necessidade de se ir acompanhando a previsão de tempo”, esclarece Marilene de Lima.
As medições da temperatura da superfície do mar são atualizadas mensalmente pelos órgãos de monitoramento. Caso o cenário de aquecimento se confirme, a NOAA aponta que o fenômeno pode evoluir para um chamado “super El Niño”, caracterizado quando as águas do Pacífico equatorial ficam pelo menos 2 °C acima do normal.
A reportagem é da repórter Sarah Quines, da Rádio Nacional, e foi publicada originalmente pela Radioagência Nacional. A edição é de Fabiana Sampaio e Rafael Guimarães.
O acompanhamento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas é fundamental para que a população e os órgãos de defesa civil possam se preparar adequadamente para os extremos climáticos associados ao El Niño, como enchentes no Sul e estiagem no Norte. A meteorologista reforça que a previsão do tempo deve ser consultada regularmente, pois a combinação de sistemas meteorológicos é determinante para a ocorrência de eventos severos.
Fonte: Agência Brasil.
